Interpretação de conto Mia Couto - gabarito


1.
a) A escrita de versos por um menino.
b) Incomoda o pai do menino, que reage ao fato obrigando a mulher a levar o filho ao médico.

2.
a) O médico, o menino que escreve os versos, o pai do menino e a mãe, Serafina.
b) O pai. 
c) Professor, verifique as respostas dos alunos e acate aquelas que lhe parecem bem argumentadas. 

3. O pai entende que essa não é uma ação normal de um menino.

4.
a) Professor, espera-se que os alunos percebam que, para o pai, sonhar é uma forma de afastar-se da realidade e, portanto, não aprender a lidar com ela. 
b) Professor, espera-se que os alunos percebam a relação que se estabelece, no conto, entre o fazer literário ("fazer versos") e a atividade de fugir à realidade, imaginar um outro modo de existir. 

Conto - 6ºano - atividade de leitura e interpretação com respostas


ORIENTAÇÃOES:
Escreva no caderno: Atividade de leitura e interpretação do conto “Um caso de amor”.
Leia o conto com atenção, se precisar, faça isso mais de uma vez.
Copie as perguntas COMPLETAS no caderno e responda-as. 
  Faça um resumo no caderno com suas palavras sobre este conto.

UM CASO DE AMOR
Um pião e uma bola estavam numa gaveta, junto com outros brinquedos, e o pião disse para a bola: “Por que a gente não namora, já que nós dois vivemos na mesma gaveta?”. Mas a bola, que era toda recoberta de marroquim¹ colorido e se considerava uma dama muito refinada, nem sequer respondeu a essa pergunta.
No dia seguinte, o menino que era dono dos brinquedos abriu a gaveta. Depois de pintar o pião de vermelho e dourado, cravou-lhe um prego de latão bem no meio – e o resultado foi maravilhoso, quando o pião girou, zumbindo.
“Olhe para mim!”, o pião falou para a bola. “O que você me diz agora? Vamos namorar? Nós formamos um belo par – você pulando, e eu dançando. Não existiria casal mais feliz.”
“Isso é o que você acha!”, a bola respondeu. “Você ainda não entendeu que meus pais eram chinelos marroquinos e que eu tenho cortiça dentro de mim!”
“Tudo bem – mas eu sou de mogno²”, o pião rebateu.
“O prefeito me fabricou no torno dele e ficou encantado comigo.”
“Pois sim... pensa que eu acredito em você?”, a bola replicou. E o pião declarou que nunca mais havia de rodar, se estivesse contando lorota³.
“Até que você fala muito bem, para alguém da sua espécie”, a bola admitiu. “Mas não posso fazer nada. Estou praticamente comprometida com um pardal. Toda vez que me levanto nos ares, ele espicha a cabeça para fora do ninho e pergunta: ‘Quer? Quer?’, e agora eu resolvi que vou responder ‘sim’, e isso é praticamente a mesma coisa que ficar noiva. Mas prometo que nunca me esquecerei de você.” 
“Bom, é um grande consolo”, o pião respondeu; e isso foi tudo que falaram um para o outro.
No dia seguinte a bola foi embora. O pião ficou olhando, quando ela voou como um passarinho e sumiu de vista. Mas logo ela desceu de novo e, ao bater no chão, deu um salto (...). Isso se repetiu várias vezes, até que a bola sumiu mesmo e não desceu mais; o menino a procurou por toda parte, porém não a encontrou.
“Eu sei onde ela está!”, o pião suspirou. “Ela está no ninho do pardal. Ela se casou com o pardal.”
Quanto mais pensava na bola, mais o pião a amava. O fato de não ter conseguido conquistá-la só aumentava seu amor (...). E dessa maneira se passaram muitos anos, e a bola se tornou um amor antigo.
E o pião também já não era jovem...! Um dia, no entanto, ele se viu todo pintado de dourado (...) e saltava, e zumbia – ziii! Era fantástico! De repente, contudo, ele pulou muito alto – e desapareceu.
As pessoas da casa o procuraram por toda parte, até no porão, mas não o acharam. Onde ele teria se enfiado?
Bem – ele tinha ido parar dentro da lata de lixo, onde topou com todo tipo de resto, como talos de repolho, ciscos colhidos pela vassoura e sujeira que caíra da calha.
“Que lugar para se ficar! Meu dourado não vai durar muito por aqui”. E pelo canto do olho o pião espiou para um talo de repolho que estava bem perto dele e para uma coisa redonda, muito esquisita, que mais parecia uma maçã podre. Mas não era uma maçã; era a bola velha, que tinha passado muitos anos na calha e agora estava encharcada.
“Até que enfim apareceu alguém com quem se pode conversar”, a bola falou, examinando o pião dourado. “Sabe, eu sou de couro marroquino e tenho cortiça dentro de mim, apesar de você não imaginar isso, quando me vê. Eu ia me casar com um pardal, mas caí na calha e lá fiquei durante cinco anos, me encharcando de água. É muito tempo para uma moça, pode crer!”
O pião, no entanto, não abriu a boca. Pensava em seu amor antigo e, quanto mais ouvia a bola falar, mais claramente entendia que ela era sua amada.
Então a empregada veio despejar o lixo. “Ora, ora! O pião dourado!”, ela se surpreendeu. E levou o pião para a sala, onde o receberam com muitos elogios e aplausos, porém nunca mais se teve notícia da bola.
E o pião nunca mais mencionou seu velho caso de amor.