Atividade para trabalhar polissemia

Uma mesma palavra pode ter vários sentidos e isso depende da situação em que a usamos. Acontece que nem sempre nos convém explorar todos esses múltiplos sentidos das palavras. Às vezes, nossa intenção é usá-las com um sentido mais fechado, mais específico. Mas também há situações em que nossa intenção é, justamente, usar e abusar da polissemia.


Leia os dois textos a seguir. 


Texto 1
Foi a antropóloga Helen Fisher [...] que propôs a existência de três fases no amor, cada uma delas com as suas características emocionais e os seus compostos químicos próprios [...]: A primeira fase é chamada "fase do desejo" e é desencadeada pelos nossos hormônios sexuais, a testosterona nos homens e o estrogênio nas mulheres. [...] 
A segunda fase é a "fase da atração", enamoramento ou paixão: é quando nos apaixonamos, ou seja, é a altura em que perdemos o apetite, não dormimos, não conseguimos concentrar-nos em nada que não seja o objeto da nossa paixão. É uma fase em que podem acontecer coisas surpreendentes, que por vezes dão origem a situações divertidas (para os outros) e embaraçosas (para o próprio): as mãos suam, a respiração falha, é difícil pensar com clareza, há "borboletas no estômago"... enfim... e isso tem a ver com outro conjunto de compostos químicos que afetam o nosso cérebro: a norepinefrina que nos excita (e acelera o bater do coração), a serotonina que nos descontrola, e a dopamina, que nos faz sentir felizes. [...] 
A terceira fase é a "fase de ligação" - passamos à fase do amor sóbrio, que ultrapassa a fase da atração/paixão e fornece os laços para que os parceiros permaneçam juntos. Há dois hormônios importantes nessa fase: a oxitocina e a vasopressina. [...] 

Química.. Boletim SPQ (Sociedade Portuguesa de Química). Portugal, n. 100. p. 47-50. mar. 2006. (Fragmento adaptado). 

Texto 2
Amor é um fogo que arde sem se ver; 
é ferida que dói e não se sente; 
é um contentamento descontente; 
é dor que desatina sem doer; 
[...] 

CAMÕES. Luís de. In: SALGADO JÚNIOR, Antonio (Org.). Luís de Camões: obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008. p. 270. (Fragmento). 


1. Qual é o assunto dos dois textos? 

2. O texto 1 é um trecho de um artigo de divulgação científica, e o texto 2, um trecho de um poema. 

a) Em qual dos textos a linguagem usada foi menos polissêmica, ou seja, as palavras usadas não possibilitam pensar em múltiplos sentidos? Por quê? 

b) Em qual dos textos a linguagem foi usada de modo mais polissêmico, possibilitando-nos percebê- las em seus múltiplos sentidos? 



Gabarito

1. O amor.

2. 
a) No primeiro texto, porque, por se tratar de um texto de não ficção, a utilização de uma linguagem menos polissêmica facilita a compreensão das informações apresentadas.
b) No segundo texto.




Referência: Singular & Plural (Editora Moderna)
Imagem: Google