Interpretação de soneto de Bocage - Recreios campestres na companhia de Marília

Recreios campestres na companhia de Marília 

Olha, Marília, as flautas dos pastores 
Que bem que soam, como estão cadentes! 
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes 

Os Zéfiros brincar por entre as flores? 

Vê como ali beijando-se os Amores 
Incitam nossos ósculos ardentes! 
Ei-las de planta em planta as inocentes, 
As vagas borboletas de mil cores! 

Naquele arbusto o rouxinol suspira, 
Ora nas folhas a abelhinha para, 
Ora nos ares sussurrando gira: 

Que alegre campo! Que manhã tão clara! 
Mas ah! Tudo o que vês, se eu te não vira, 
Mais tristeza que a morte me causara. 

BOCAGE. Obras de Bocage. Porto: Lello&Irmão, 1968. p. 152. 


a) O soneto de Bocage focaliza o tópico do lugar ameno. Justifique a afirmação com um verso do texto. 

b) Explique o sentido dos versos finais do poema: "Mas ah! Tudo o que vês, se eu não te vira,/Mais tristeza que a morte me causara". 

c) Localize e explique a antítese presente na última estrofe do soneto. 


Gabarito: 

a) O eu lírico, em várias passagens do poema, exalta a singeleza e a alegria do campo. Um verso que sintetiza essa postura é "Que alegre campo! Que manhã tão clara!".

b) Nesses versos finais, o eu lírico afirma a sua Marília que a visão alegre da natureza lhe causaria uma tristeza maior que a morte se ele não a visse. Desse modo, declara que a sua felicidade está condicionada à presença da amada.

c) Na última estrofe do soneto, há uma antítese entre a alegria sentida pelo eu lírico (vinculada à visão da natureza) e sua eventual tristeza (sentida, se porventura, não visse a amada Marília). 




Referência: Língua Portuguesa (Editora Positivo)