Artigo de opinião para ensino médio: Apocalipse Ambiental


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Em diferentes situações do cotidiano, expressamos nossa opinião a respeito do mundo que nos cerca. Opinamos sobre a melhor revista em quadrinhos, o ator ou a atriz mais competente, o professor mais atencioso, o programa de TV mais divertido, o melhor presidente do país, o livro mais bonito que já lemos, e assim por diante. 
Opinar é, enfim, tomar uma posição diante das coisas que existem ou acontecem no mundo, seja para apoiá-las, seja para rejeitá-las. Opinar é não só um direito de cada cidadão, mas também um dever: o dever de transformar o mundo e torná-lo melhor para todos. 

Apocalipse Ambiental 
A ameaça humana 

Intervenções do homem nos ecossistemas estão devastando cadeias alimentares e provocando extinção em massa de espécies. Poderia esse processo culminar com nosso próprio fim? 

Esqueça a colisão inesperada de asteroides, erupções vulcânicas globais ou alterações no campo magnético da Terra. Um vilão muito mais perigoso está nesse momento promovendo uma silenciosa extinção em massa de espécies. É, você adivinhou: o ser humano. 
Nosso planeta presenciou 5 grandes extinções em massa nos últimos 500 milhões de anos. Dentre elas, a dos dinossauros é a mais famosa. E, ao que tudo indica, o homem iniciou a sexta grande matança há milhares de anos, quando adquiriu inteligência suficiente para manipular os ecossistemas a seu bel-prazer. E hoje estamos presenciando a maior extinção em massa de plantas e animais já vista na história da Terra. 
Hoje, nosso planeta possui cerca de 2 milhões de espécies identificadas. Nos próximos 100 anos, metade delas estará extinta! É o que afirma Edward Wilson, famoso biólogo americano, no livro O Futuro da Vida. E o culpado é quem ele chama de "o assassino planetário". "No mundo inteiro, sempre que humanos penetram em um novo ambiente, a maior parte da megafauna desaparece", diz. Os animais grandes, lentos e saborosos são sempre os primeiros dizimados. Quando o homem extermina a fauna de uma região, muda-se para outra, onde a destruição continua. 
No curto período de tempo em que o homem está sobre a Terra, já poluiu o ar, o solo e o mar, promoveu o desmatamento descontrolado, a caça e a pesca predatórias e explorou recursos naturais ao extremo. Agora ele está até mesmo alterando o clima do planeta inteiro pela emissão de combustíveis fósseis. Diversas espécies de mamíferos, pássaros, répteis, peixes, insetos e até vegetais já foram extintas. Muitas delas são extintas antes mesmo de serem descobertas.
Colocar a natureza em risco também coloca em perigo a humanidade. "Os serviços e o valor econômico proporcionado pelas espécies são insubstituíveis e essenciais ao nosso bem-estar", diz Jon Paul Rodríguez, vice-presidente da Comissão de Sobrevivência das Espécies da IUCN (União Internacional pela Conservação da Natureza, na sigla em inglês). Aí entram medicamentos extraídos da biodiversidade, recursos naturais para alimentar a população humana e até mesmo a matéria-prima para a produção dos bens de consumo mais supérfluos. O que antes estava disponível quase de graça na natureza terá de ser recriado artificialmente, custando muito caro. Será que dá pé? 
No ritmo atual de destruição, num futuro próximo até os zoológicos serão coisas do passado. Sobrará apenas o lamento humano do progresso conquistado à custa de uma rica biodiversidade. Se tanto. Caso a famosa hipótese Gaia esteja correta (sugerindo que a vida na Terra faz a regulação do ambiente planetário, inclusive domando aquecimentos e resfriamentos globais, como se o planeta inteiro fosse uma única criatura gigante), talvez sua morte leve à nossa também. 
Há, contudo, quem afirme que a sobrevivência dos seres vivos na Terra tem solução, e o desaparecimento de animais e vegetais pode ser evitado com a extinção de uma única espécie: nós. Convenhamos, pode até ser uma solução. Mas é decepcionante pensar que somos incapazes de coexistir pacificamente com a natureza, ainda mais levando em conta todo o conhecimento que adquirimos dela nas últimas décadas. Parte dele sugere que simplesmente não podemos viabilizar nossa própria existência se destruirmos o resto da biosfera, de onde tiramos nosso sustento. E o consenso é que dá para fazer melhor. 

(Hermerson Brandão. Superinteressante, nov.2012. Abril Comunicações S/A.)


A opinião e os argumentos

Quando produzimos um texto de opinião, temos em vista a finalidade de convencer os nossos interlocutores. Para alcançar este objetivo, precisamos fundamentar nosso ponto de vista com bons argumentos, isto é, com motivos, razões e explicações que o esclareçam e o justifiquem. Assim, quanto mais polêmico é o tema, mais precisamos nos esforçar para reunir uma argumentação clara e consistente. 

1. Nos dois primeiros parágrafos do texto, o autor apresenta o ser humano como o principal responsável pela extinção de espécies animais e vegetais que vem ocorrendo no planeta. Quando começou a atuação do ser humano que tem tido essa consequência? 

2. Leia o texto "A opinião e os argumentos". Uma das maneiras de fundamentar uma opinião é recorrer ao conhecimento de autoridades no assunto abordado. Isso ocorre no texto lido? 

3. A partir das informações dos especialistas, o autor do texto apresenta duas conclusões principais. Quais são essas conclusões? 

4. Que ações ou consequências de ações humanas, mencionadas no quarto parágrafo, têm relação com a extinção de espécies animais e vegetais prevista por estudiosos? 

5. Fazendo uso de ironia, o autor apresenta a extinção da espécie humana como solução para a sobrevivência de espécies vegetais e animais. Apesar disso, menciona a ideia de que o conhecimento que temos atualmente sobre a natureza pode nos levar a uma mudança de comportamento. O que uma parte desse conhecimento sugere? 

6. Nos artigos de opinião, a linguagem empregada geralmente é direta e clara e de acordo com a norma-padrão. Às vezes, dependendo do veículo de comunicação e do perfil do público que o autor pretende atingir, a variedade linguística pode ser informal. Observe a linguagem do texto lido. 

a) De qual tipo de veículo de comunicação foi extraído o texto? 
b) Que tipo de variedade linguística foi empregada: uma variedade de acordo com a norma-padrão ou não? Formal ou informal? Justifique sua resposta. 
c) Considerando o perfil dos leitores que se interessam por esse tipo de assunto e o veículo em que o texto foi publicado, você acha que a linguagem empregada pelo autor está adequada? Justifique a sua resposta. 

7. O artigo de opinião expressa o ponto de vista de seu autor. Por isso, é comum haver nele expressões como Eu penso que, Eu acho que, No meu ponto de vista, Na minha opinião, A meu ver, Precisamos fazer isso, etc. Transcreva do texto duas expressões desse tipo. 

Gabarito

1. Desde o momento em que passou a manipular os ecossistemas sem nenhum controle.

2. Sim. O autor cita o biólogo americano Edward Wilson e o vice-presidente da Comissão de Sobrevivência das Espécies da IUCN, Jon Paul Rodríguez. 

3. 
1) Nos próximos 100 anos, metade das espécies que estão identificadas estará extinta. 
2) Colocar a natureza em risco é pôr em risco também a sobrevivência da humanidade. 

4. A poluição do ar, do solo e do mar; o desmatamento descontrolado; a pesca e a caça predatórias; a exploração descontrolada de recursos naturais; a alteração do clima do planeta decorrente de emissões de combustíveis fósseis. 

5. Que não poderemos existir se destruirmos a biosfera.

6
a) De uma revista que circula entre leitores de várias idades, mas principalmente entre leitores mais jovens interessados em ciência.
b) Foi empregada uma variedade de acordo com a norma-padrão formal, com alguns traços de informalidade. como a expressão "Será que dá pé?" e pontos de exclamação indicativos da presença da função emotiva em texto argumentativo. 
c) Sim, pois diferentes tipos de público fazem uso da norma-padrão. Além disso, considerando-se o grau de escolaridade do público da revista a norma-padrão com traços de informalidade é adequada. 

7. É decepcionante pensar que / Convenhamos.