Literatura: compreendendo o Barroco (síntese)

A literatura barroca está intimamente relacionada ao período da Contrarreforma, movimento do início do século XVI promovido pela Igreja Católica. A Contrarreforma constituiu uma resposta às ideias protestantes que combatiam certas práticas e dogmas do catolicismo e se serviu de todos os meios - inclusive das artes - para difundir a fé cristã nos moldes estabelecidos pela Igreja Católica. O objetivo era que a arte provocasse a elevação espiritual e mostrasse, com o máximo de emoção e dramaticidade, o caminho certo a seguir e os perigos que ameaçavam os que dele se afastassem. 

Nesse período, especialmente nos países de forte tradição católica, a arte abordou predominantemente temas religiosos e morais, reavivando temores e inquietações em relação ao destino humano: para alcançar a salvação divina, os católicos deveriam obedecer a um rígido código de comportamento que garantisse a pureza e integridade da alma. Instalou-se então um dualismo entre os interesses mundanos e as obrigações da fé. O conflito entre a sedução dos prazeres terrenos e o medo da punição divina se tornou um tema recorrente.  

Essa atmosfera de tensão foi expressa na literatura barroca por meio do emprego de frases em ordem inversa e de paradoxos e antíteses. O resultado é um estilo fortemente ornamentado, sofisticado, que ficou conhecido como cultismo. 

A temática religiosa associada ao requinte do estilo cultista foi responsável pelo surgimento de notáveis sermonistas, como Padre Antônio Vieira, que pregou tanto em Portugal quanto no Brasil. Ao lado dos sermões, os temas religiosos e inquietações morais também foram expressos na poesia lírica. No Brasil, o escritor baiano Gregório de Matos se destaca nessa produção poética. 






Referência: Linguagem em Movimento (Editora FTD)