Sugestão de projeto interdisciplinar: Escritoras brasileiras e a condição feminina no Brasil

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LITERATURA - HISTÓRIA - GEOGRAFIA
Tema: Escritoras brasileiras e a condição feminina no Brasil

Para iniciar, fazer um levantamento da percepção dos alunos quanto à condição da mulher no Brasil atual. Comentar que, embora as mulheres tenham obtido muitas conquistas, principalmente no século XX, ainda não se pode falar em completa igualdade de gênero. Citar, por exemplo, a violência doméstica (a cada 5 minutos uma mulher é agredida no país, e em 70% dos casos o agressor é o companheiro, segundo dados de 2012 do Ministério da Justiça) e a diferença salarial entre os sexos (mulheres recebem cerca de 30% menos do que os homens, segundo o Censo 2010 do IBGE).
Resgatar, com os alunos, alguns fatos históricos representativos da emancipação feminina no Brasil, como o direito ao voto em 1932, o advento do contraceptivo oral (pílula) na década de 1960, a Lei Maria da Penha em 2006, a eleição da primeira mulher para a Presidência da República em 2010. Sugerir que pesquisem na internet uma lista mais extensa de fatos. Abaixo há uma breve cronologia, arbitrária, de alguns desses acontecimentos no Brasil.

1827: Lei permitindo que mulheres frequentassem as escolas elementares.
1879: Autorização do governo para que mulheres cursassem o ensino superior.
1927: Eleição da primeira prefeita brasileira: Alzira Soriano de Souza, de Lages (RN).
1932: Getúlio Vargas promulga o novo Código Eleitoral, que garante o direito de voto às mulheres brasileiras.
1933: Eleição, para a Assembleia Constituinte, da primeira deputada, a paulista Carlota Pereira de Queiroz.
1979: Eunice Michilles é a primeira senadora do Brasil, por falecimento do titular da vaga.
1985: Primeira "Delegacia da Mulher" (Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher), no estado de São Paulo. Outros estados seguem o exemplo.
1996: Nélida Piñon é a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras.
1997: Crescimento da presença feminina em cargos públicos legislativos e executivos: 7% das cadeiras da Câmara dos Deputados; 7,4% do Senado; 6% das prefeituras brasileiras.
2010: Eleição de Dilma Rousseff, primeira presidenta do Brasil, 78 anos depois da conquista do voto feminino.

Fonte dos dados: HISTÓRIA Digital. 25 conquistas das mulheres no Brasil.  

Levar os alunos a perceber que, simultaneamente aos acontecimentos coletivos, dão-se as trajetórias dos indivíduos. Lembrar que muitas mulheres lutaram e lutam por direitos iguais, entre elas as escritoras.
Mais uma vez, propor que façam uma pesquisa, dessa vez sobre escritoras brasileiras. Comentar com eles que hoje em dia há muitas autoras famosas, mas que em outros tempos a manifestação literária das mulheres sofreu limitações e entraves, em razão do preconceito e da opressão.
Apresentamos, a seguir, uma lista, também arbitrária, de algumas escritoras brasileiras, do século XIX até a atualidade. A primeira parte é composta de autoras menos conhecidas, por isso fornecemos uma "minibiografia" de cada. A segunda parte é composta de escritoras renomadas.

Nísia Floresta (1810-1885)
A norte-rio-grandense Dionísia Gonçalves Pinto, conhecida pelo pseudônimo Nísia Floresta, foi precursora do feminismo no Brasil. Educadora, fundou uma escola de moças que tinha no currículo disciplinas como Latim, História, Geografia, Matemática e idiomas. Publicou, em 1832, a obra Direitos das mulheres e injustiça dos homens.

Maria Firmina dos Reis (1825-1917)
Maranhense e negra, teria sido a primeira brasileira a publicar um romance: Úrsula (1859), de temática abolicionista. Foi educadora e colaborou com jornais literários.

Maria Benedita Bormann (Délia) (1852-1895)
Nasceu em Porto Alegre (RS) e mudou-se para o Rio de Janeiro. Lésbia é seu romance mais famoso. Publicou crônicas e contos nos principais periódicos do Rio de Janeiro.

Narcisa Amália (1852-1924)
Nascida no Rio de Janeiro (RJ), é considerada a primeira jornalista profissional do Brasil. Publicou, em 1872, Nebulosas, cujos poemas tiveram grande acolhida da crítica, e em 1874, o volume de contos Nelúmbia.

Júlia Lopes de Almeida (1862-1934)
Nascida no Rio de Janeiro (RJ), escreveu romances, contos, crônicas, peças de teatro e obras didáticas, além de ter colaborado com diversos periódicos, como a revista A Semana e o jornal O País (este por mais de 30 anos). Seu romance A falência (1901) é tido pela crítica como uma de suas melhores obras, e foi sucesso de público.

SÉCULOS XX E XXI

Rachel de Queiroz (1910-2003)
Patrícia Galvão (1910-1962)
Clarice Lispector (1920-1977)
Lygia Fagundes Telles (1923-)
Hilda Hilst (1930-2004)
Adélia Prado (1935-)
Nélida Piñon (1937-)
Ana Cristina Cesar (1952-1983)
Patrícia Melo (1962-)

Propor aos alunos que escolham algumas das escritoras para aprofundamento, pesquisando biografia e obras principais. É interessante que selecionem pelo menos uma escritora do século XIX e uma dos séculos XX e XXI. Sugere-se dividir a turma em grupos para um trabalho mais abrangente. Por exemplo: definir cinco grupos, e cada grupo escolhe três autoras, para estudar suas biografias e obras à luz dos momentos históricos nos quais se inserem.

Os grupos podem realizar uma apresentação para a turma, apoiada por uma antologia (digital ou impressa).