Figuras de linguagem: exercício com gabarito - vestibulares e concursos


Leia estes trechos de textos:

TEXTO 1
Salvar a infância e a saúde, 
Salvar a arte, de quem censura, 
A democracia da ditadura, 
Salvar o belo, salvar o nobre, 
Salvar o aço (e algum cobre). 

FERNANDES, Millôr. Poeminha nacionalista salvatágio. 

TEXTO 2
Sete quedas por nós passaram 
E não soubemos amá-las, 
E todas sete foram mortas, 
E todas sete somem no ar, 
Sete fantasmas, sete crimes, 
Dos vivos golpeando a vida 
Que nunca mais renascerá. 

ANDRADE, Carlos Drummond de. Adeus a sete quedas. Jornal do Brasil.

TEXTO 3
E nem piratas, nem borrascas, nem dragões 
Vão me impedir de ser feliz 
De levantar a minha âncora e partir. 

RAMIL, Kleiton; RAMIL, Kledir. Navega coração. 

Considerando os recursos de linguagem figurada empregados pelos poetas nos três fragmentos, responda aos itens de a a d. 

a) Elipse é uma figura de linguagem que consiste em omitir/subentender uma palavra ou expressão, geralmente com o objetivo de tornar mais conciso ("enxuto") o enunciado. Identifique exemplos dessa figura nos textos 1 e 2. 

b) Em 2 e em 3 identifica-se um recurso de linguagem que, além de estabelecer a conexão (articulação) entre partes do texto, contribui para a cadência/ritmo dos versos. Dê o nome dessa figura e aponte-a em ambos os fragmentos. 

c) Em 1 e em 2 há um outro recurso expressivo que também realça o ritmo dos versos. Nomeie essa figura de linguagem e aponte sua ocorrência nesses dois trechos. 

d) No texto 1, a palavra "cobre", se correlacionada a "aço", deve ser interpretada em sentido denotativo (literal), significando tipo de minério; no entanto, ao empregá-la entre parênteses, Millôr Fernandes teve a intenção de, por meio de uma metonímia, pôr em evidência o sentido informal dessa palavra. Esclareça qual é esse sentido e explique a metonímia.


a) Em 1: "salvar" (omitido no terceiro verso); em 2: "nós" (omitido no segundo verso).
Observação: se trata mais especificamente de zeugma (tipo particular de elipse que consiste na omissão de um termo já referido). 

b) Polissíndeto (repetição da conjunção). Em 2, repete-se a conjunção "e"; em 3, a conjunção "nem".

c) Anáfora (repetição de palavra/expressão) no início de uma série de frases ou versos. Em 1, repete-se "salvar"; em 2,  "E todas sete". Observação: no trecho 2 é válido considerar como parte da anáfora a repetição de "sete", que embora não ocorra no início dos versos, tem uma distribuição que contribui para o ritmo/musicalidade do texto.

d) A metonímia consiste na troca entre palavras de sentidos contíguos/vizinhos. Millôr usa "cobre" para substituir "dinheiro". Na linguagem informal "cobre" substitui "dinheiro", porque antigamente as moedas (o dinheiro) eram feitas de cobre; então, nessa relação de contiguidade, o nome do objeto (moeda) é substituído pelo material de que ele era feito (cobre). 
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