Comparação e personificação - exercícios com respostas (9º ano)


Leia:

D. Zina aproximou-se do hóspede: 
— Seu Amaro — disse ela, maternal — parta o bolo e divida com os outros. Não seja esganado. 
Riu com simpatia. Amaro arrancou as velas do bolo e pô-las de lado. Pegou duma faca e olhou para a dona da pensão. 
— Eu queria que a senhora me ajudasse... Não tenho jeito para essas coisas... 
D. Zina socorreu-o, partindo o bolo em fatias iguais, que distribuiu entre os hóspedes. 
Amaro olhou melancolicamente para o pedaço que lhe tocara. Observou quase divertido que tinha sido dos menores. 
— Minha Nossa Senhora! — exclamou D. Zina. — O senhor é o dono do bolo e ficou com a fatia menor! 
— Não se incomode, D. Zina, não faz mal. 
A vida fora para ele um grande bolo, de aspecto gostoso, cheio de velas coloridas. No fim lhe tocara a fatia menor. Mas por felicidade ele não era guloso. Contentava-se com pouco. Chegara à perfeição de desejar só uma coisa: a sua tranquilidade, a sua paz. 

(VERISSIMO, Erico. Um lugar ao sol. 36. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.)

1. Nesse texto há mais do que uma comparação, há uma metáfora resumida nestes termos: "A vida fora para ele um grande bolo". A metáfora se constrói sobre uma comparação implícita, o que significa dizer que há semelhanças entre a vida da personagem e um grande bolo. Então, com base no texto, explique as semelhanças entre esses dois elementos. 

2. Identifique as imagens presentes nestes trechos: 

a) "Lá fora, fresca e clara, a manhã despertava leve e sem memória como uma criança saindo dum sono sem sonhos." 

(VERISSIMO, Erico. Um lugar ao sol. 36. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.) 

b) 

"O gosto do seu beijo 
é melhor do que o gosto 
de uma jabuticaba daquelas 
que estalam na boca da gente. 
Fica vivendo na esperança 
de mais outro, outro mais." 

(RICARDO, Cassiano. Poesias completas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1957. p. 66.) 

c) 

"A orquídea parece 
uma flor viva, uma 
boca, e nos assusta. 
Flor aracnídea." 

(RICAROO, Cassiano. Poesias completas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1957. p. 254.) 

3. Crie comparações e personificações para os elementos a seguir, formando parágrafos ou pequenos poemas. Depois, leia-os para seus colegas. 

a) A lua cheia no meio do céu. 
b) Uma árvore sem folhas e sem flores no inverno. 
c) Uma árvore sem folhas e repleta de flores na calçada. 
d) Um pássaro em pleno voa. 
e) O vento soprando forte na janela. 
f) Grandes nuvens movendo-se lentamente. 

RESPOSTAS

1. As semelhanças estão no aspecto do bolo e da vida (ambos de aparência bonita e apetitosa) e no que a personagem recebe dos dois: apenas uma modesta parcela. A personagem, porém, conforma-se com a pequena fatia de bolo, assim como com a vida modesta que lhe cabe (diz que não é guloso, e entendemos isso em relação ao bolo e à vida). 

2.
a) Há nesse trecho uma personificação: "a manhã despertava leve e sem memória"; e uma comparação: "como uma criança saindo dum sono sem sonhos". 

b) Comparação: o sabor do beijo é comparado ao de uma jabuticaba (" ... é melhor do que o gosto / de uma jabuticaba daquelas / que estalam na boca da gente."). 

c) Comparação: a orquídea é comparada a uma flor viva, a uma boca, que assusta como uma aranha ("A orquídea parece / uma flor viva [...]"). 

3. Respostas pessoais, Professor (a): Motive os alunos a criarem imagens bem pessoais, evitando os chavões, as imagens "batidas". Quando lerem seus textos, é interessante que observem a diversidade de imagens que se podem criar, de acordo com as percepções de cada um. 
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