Gabarito e comentários dos exercícios sobre morfossintaxe

1. Resposta correta – alternativa e: De fato, são duas funções discursivas diferentes que se apresentam em cada ocorrência de mas. Na primeira, procura-se realçar a oposição entre o calor do ambiente e a possibilidade de se refrescar desse calor. Já na segunda ocorrência, há a reiteração da ideia de que não é qualquer semente, mas aquelas que a personagem tinha nas mãos.

Alternativa a: Cada ocorrência de mas tem valores expressivos diferentes. Alternativa b: Não há prejuízo da compreensão pelo uso da conjunção mas no início da frase. Alternativa c: Não há nenhuma proibição quanto ao uso de mas no início de frases. Alternativa d: As ocorrências de mas não trazem uma noção de tempo nem direcionam o leitor.

2. Resposta correta – alternativa d.
Alternativa a: Após é um conectivo temporal. Alternativa b: Enquanto também é um conectivo temporal. Alternativa c: No entanto traz ideia de oposição. Alternativa e: Por causa de expressa causa, não consequência.

3. A conjunção repetida durante o poema é e. Em todas as suas ocorrências, estabelece-se uma relação entre algo que é muito grande, mas que, no entanto, cabe dentro de espaços pequenos ou ações breves. Essa relação estabelecida é de oposição, entre algo grande e algo pequeno; poder-se-ia alterar a conjunção para mas sem problemas de compreensão. Assim, a alternativa correta é a alternativa a.

4. Resposta correta – alternativa d: Não há como estabelecer uma ideia de causalidade para o provérbio em questão. Seu sentido equivale a um conselho, algo como “Não seja uma pessoa extremista” ou “Seja uma pessoa equilibrada nos diferentes aspectos de sua vida”. Em nenhum desses sentidos existe ideia de causalidade.

Alternativa a: A ideia de causalidade pode ser expressa se reescrevermos o provérbio da seguinte forma: Se existe fumaça, é porque existe fogo. Também podemos observar a ideia de causalidade se o sentido do provérbio for explicitado: Quando vemos sinais de um problema, é porque esse problema está acontecendo de fato. Alternativa b: A ideia de causalidade pode ser expressa se reescrevermos o provérbio da seguinte forma: Você não tem nada porque quer tudo. Também podemos observar a ideia de causalidade se o sentido do provérbio for explicitado: As pessoas não conseguem ser felizes e se contentar com o que têm porque querem muitas coisas. Alternativa c: A ideia de causalidade pode ser expressa se reescrevermos o provérbio da seguinte forma: Tu ages de determinada forma porque andas com determinadas pessoas. Também podemos observar a ideia de causalidade se o sentido do provérbio for explicitado: Uma pessoa é como é e age como age porque sofre as influências do grupo de que faz parte. Alternativa e: A ideia de causalidade pode ser expressa se reescrevermos o provérbio da seguinte forma: Se saímos na chuva, é porque queremos nos molhar. Também podemos observar a ideia de causalidade se o sentido do provérbio for explicitado: Porque nos comprometemos com algum projeto, devemos estar preparados para lidar com as situações que ele impõe.

5. Resposta correta – alternativa e: A relação estabelecida entre as orações é de causa, como podemos observar melhor se reescrevermos o período da seguinte forma: Simão Bacamarte acreditava que D. Evarista lhe daria filhos porque ela era sadia.

Alternativa a: A relação estabelecida entre as orações é de comparação, como podemos observar melhor se reescrevermos o período da seguinte forma: A ciência é o meu emprego da mesma forma que Itaguaí é o meu universo. Alternativa b: A relação estabelecida entre as orações é de concessão, de quebra de expectativa, como podemos observar melhor se reescrevermos o período da seguinte forma: D. Evarista não deu filhos a Bacamarte, mesmo que ele esperasse por isso. Alternativa c: A relação estabelecida entre as orações é de comparação, como podemos observar melhor se reescrevermos o período da seguinte forma: O estudo da ciência não se comparava a nada em importância para o médico. Alternativa d: A relação estabelecida entre as orações é de conformidade, como podemos observar melhor se reescrevermos o período da seguinte forma: Conforme diziam as crônicas, Simão Bacamarte estudara em Coimbra e Pádua.

6. Resposta correta – alternativa d: A locução conjuntiva por mais que estabelece uma relação de concessão. Assim, pode substituir a conjunção embora sem alteração de sentido na sentença.

Alternativas a, b e c: As locuções conjuntivas contanto que e desde que estabelecem relação de condição, e a locução conjuntiva uma vez que estabelece uma relação de causa, casos diferentes da relação de concessão expressa por embora.

7. Assim como o aço de navaia, a tua saudade corta.
Os elementos relacionados nos dois primeiros versos da canção são “tua saudade” e “aço de navaia”. 
Ambos são comparados em relação à capacidade que têm de cortar o emissor, o primeiro de forma metafórica (fazer sofrer), o segundo literalmente (cortar fisicamente). A frase Assim como o aço de navaia, a tua saudade corta consegue manter os elementos comparados e o sentido da comparação, além de se iniciar com a locução assim como, conforme solicitado.

8. Para que o enunciado seja coerente, é importante encadear os fatos com as conjunções adequadas.
Os fatos das alternativas são os mesmos: há muitos universitários saindo para o mercado de trabalho; o Vale do Paraíba tem potencial para absorvê-los; o Vale do Paraíba é um mercado inexplorado. 
A alternativa que une esses fatos coerentemente é a alternativa e, porque apresenta uma concessão ao fato de o Vale do Paraíba empregar os universitários (há muitos estudantes; se há muitos, não seria possível absorver todos) e, em seguida, inclui uma causa para essa capacidade inesperada (é ainda um mercado inexplorado). Todas as outras alternativas apresentam ideias – expressas pelas conjunções – inadequadas aos fatos: a alternativa a estabelece uma proporção; b apresenta uma causa; c inclui uma consequência e d, uma conclusão.

9. Resposta correta – alternativa a: A alternativa está correta porque apresenta a regência abonada do verbo preferir, com a preposição a: prefiro alguma coisa a outra.

Alternativa b: A forma pronominal do verbo simpatizar (simpatizar-se) não é abonada pela norma; assim, a sentença correta seria: Sempre simpatizava com aqueles documentários sobre meio ambiente. Alternativa c: O verbo implicar no sentido de “acarretar”, “ter como consequência”, é transitivo direto. Assim, a redação correta para essa alternativa é: A perda da folha de consumação implica uma multa de R$ 500,00. Alternativa d: No sentido de “ser difícil”, “ser trabalhoso”, o verbo custar deve ser empregado na 3ª pessoa do singular, seguido ou não da preposição a; assim, a sentença correta seria: Custou-me (a) acreditar no que estava vendo. Alternativa e: Namorar é transitivo direto; assim, a sentença correta é: Aquela apresentadora de TV não está namorando ninguém.

10. Resposta correta – alternativa a: A preposição nesta sentença é inadequada porque o verbo aspirar, no sentido de “sorver [o ar]”, é transitivo direto. Assim, a sentença correta seria: É puro o ar que aspiramos na mata virgem.

Alternativa b: O verbo discordar é transitivo indireto, “discordar de alguma coisa”. A preposição de deve acompanhar o pronome relativo que se refere ao objeto do verbo. Alternativa c: O verbo referir-se é transitivo indireto, “referir-se a algo”. A preposição a deve acompanhar o pronome relativo que se refere ao objeto do verbo. Alternativa d: O verbo assistir é transitivo indireto, “assistir a alguma coisa”. A preposição a deve acompanhar o pronome relativo que se refere ao objeto do verbo. Alternativa e: O verbo gostar é transitivo indireto, “gostar de alguma coisa”. A preposição de deve acompanhar o pronome relativo que se refere ao objeto do verbo.

11. Resposta correta – alternativa e: O pronome átono me pode vir em posição proclítica, antes do verbo, ou enclítica, depois do verbo, como está. Não há impedimentos para essas posições.  

Alternativa a: O pronome átono lhe não pode mudar de posição, pois é atraído pela conjunção quando. Alternativa b: O pronome átono o (transformado em no por adequação fonológica) não pode mudar de posição. Sua mudança implicaria início de sentença com próclise, o que é considerado incorreto pela norma. Alternativa c: O pronome átono se não pode mudar de posição, pois é atraído pelo advérbio não. Alternativa d: O pronome átono se não pode mudar de posição, pois acompanha um verbo no futuro do indicativo. Assim, a mesóclise deve ser mantida.

12. Resposta correta – alternativa b: Não ocorre crase no primeiro a porque existe somente um artigo precedendo “cidade do Rio de Janeiro”. Entretanto, o segundo a deve levar acento grave porque é a junção da preposição a regida pelo verbo (alguma coisa ligada a outra) e do artigo que precede o substantivo feminino cidade, omitido (“está ligada à [cidade] de Niterói”).

Alternativa a: Não ocorre crase no primeiro a porque Nossa Senhora não admite o artigo a. Também não ocorre crase no segundo a porque pais é um substantivo masculino. Alternativa c: Não ocorre crase no a porque a palavra restrições está no plural e não há nenhum artigo feminino plural que a acompanha. Alternativa d: Não ocorre crase porque Roma não admite o artigo a. Alternativa e: Não ocorre crase no primeiro a porque não existe junção de preposição e artigo (o artigo uma impede a existência do artigo a). Também não ocorre crase no segundo a porque, novamente, não existe o artigo a; aquilo que acompanha o relativo cuja é uma preposição regida pelo verbo descansar.

13. 4 – 2 – 5 – 3 – 1 – 6
A sequência acima começa apresentando o tema: o acesso variado à internet nos diferentes países. Depois disso, exemplifica um tipo específico de acesso (uso ilimitado por um valor mensal). Em seguida, contrapõe (usando a locução conjuntiva no entanto) tal acesso a um tipo mais geral, que abrange outros países (o uso cobrado por minuto). Depois, acrescenta que alguns países não têm telefone e finaliza mostrando a consequência (por isso) de não haver telefones: a impossibilidade de acesso à internet em alguns locais do globo.

14. Em “os dois permanecemos” ocorre concordância ideológica ou silepse, mais especificamente, silepse de pessoa, uma vez que o sujeito os dois normalmente teria um verbo conjugado na 3ª pessoa do plural (“os dois permaneceram”); mas, para que haja a ideia da inclusão do emissor como um dos dois indivíduos em questão, o verbo é conjugado na 1ª do plural. Em “realizamos” há um sujeito oculto nós que pode ser recuperado pela flexão verbal -amos (“nós realizamos”). Assim, a alternativa que apresenta a silepse e indicação de sujeito pela flexão verbal é a alternativa a.

15. Resposta correta – alternativa c.
Alternativa a: O predicativo adiados deve concordar com o núcleo do sujeito soluções. Assim, a sentença correta seria: As soluções de conflitos de ordem social são sempre adiadas. Alternativa b: O pronome oblíquo o retoma jovens. Assim, deveria estar no plural. A sentença correta seria: Este é o tipo de sonho dos jovens que os empurram para situações perigosas. Alternativa d: O verbo ocorrer deve estar no plural para concordar com o núcleo chuvas do sujeito as mais fortes chuvas em nosso estado. A sentença correta seria: Ocorrem, nessa época do ano, as mais fortes chuvas em nosso estado. Alternativa e: O verbo vigorar deve concordar com o sujeito as orientações mais adequadas, cujo núcleo é plural. Assim, vigorar também deve estar no plural e a sentença correta seria: Aqueles são os pronto-socorros em que vigoram as orientações mais adequadas. 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...