Texto 6ºano - Interpretação - O outro lado do espelho




O outro lado do espelho 

Dentro da sala, num dia de inverno, Alice se distraía olhando sua gatinha Diná lamber o filhote branco para deixá-lo limpo. O outro gatinho, o preto, corria pela sala: pulou em cima do tabuleiro de xadrez e derrubou a Rainha Vermelha. 
Alice o segurou firme e falou zangada: 
— Não abuse de minha paciência! Xadrez é um jogo para ser levado a sério. [...]
O gatinho ronronou. Alice achou que isso era uma resposta e o colocou em frente ao espelho, aconselhando:
— Se cruzar os braços e ficar em pé nas patas traseiras, você parece uma Rainha de xadrez. 
O gatinho não sabia cruzar os braços e Alice ameaçou-o: 
— Se continuar teimoso, eu o mando para a casa do espelho. 
O gatinho se encolheu como se tivesse ficado com medo e ela o confortou: 
— Não se assuste, eu sempre tive vontade de viver na casa do espelho. Faça de conta que conseguimos penetrar lá dentro. 
Venha comigo.
Dito e feito: atravessaram o espelho. Alice observou que tudo era igual à outra sala, só que em desordem. As peças de xadrez estavam esparramadas pelo chão. Decidiu ver como era o jardim. Abriu a porta e foi para fora. Ao longe viu um morro e pensou: "Lá do alto poderei ver o jardim muito melhor". 
Alice tomou a direção do morro, mas algo a puxava de volta para a casa. [...]
Insistiu em seguir até o morro em linha reta, mas o caminho deu um tranco violento que a fez ir parar de novo na porta da casa. 
Zangada, se pôs a andar outra vez, até que esbarrou em um canteiro de margaridas e lírios e disse a um deles: 
— Amigo Lírio, que pena as flores não falarem. 
— Falamos, sim, mas só quando vale a pena. 
— Todas as flores falam? 
Nessa essa altura outras flores se meteram na conversa e Alice resolveu perguntar o que lhe interessava: 
— Há mais gente neste jardim além de mim? 
— Há, sim. Há uma flor que sabe se mover como você. Ela usa coroa — respondeu a Rosa. 
— Ela aparece sempre por aqui? 
— Lá vem ela! — gritou uma outra flor. 
Alice olhou na direção apontada e viu a Rainha Vermelha do xadrez, que agora tinha mais de um metro de altura. 
Alice se despediu das flores e tomou a direção em que vinha a Rainha. A Rosa avisou-a: 
— Não vá por aí. Se quer encontrar-se com ela, vá na direção contrária à que ela vem. 
A menina achou que aquele conselho era tolice e continuou a caminhar na direção da rainha. Perdeu-a de vista e voltou a se encontrar junto à porta da casa. Decidiu caminhar em sentido contrário, como aconselhara a Rosa. Desta vez acertou. Encontrou-se com a Rainha, em cima do morro que tanto tentara alcançar. 

Lewis Carroll. Alice no país do espelho. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009. p. 4-6. 

A história que você acabou de ler foi escrita por Lewis Carroll. Você já ouviu falar desse escritor? Leia o texto abaixo e saiba como ele criou as histórias da personagem Alice. 

Lewis Carroll (1832-1898) foi o escritor inglês que criou a personagem Alice. Curiosamente, a ideia para a personagem veio de um fato real. Depois de conhecer e contar uma história de improviso para Alice Liddell, filha de um amigo, Carroll teve a ideia de escrever as obras Alice no país das maravilhas e Alice no país do espelho. Ambas as histórias ficaram conhecidas em todo o mundo e ganharam as telas do cinema, em várias versões.


INTERPRETAÇÃO DO TEXTO 

1. Logo no início do texto, a personagem Alice se encontra em uma sala.

a) Quem Alice vê nesse mesmo lugar? 
b) Por que Alice fica irritada com um dos gatinhos? 
c) Que objetos da sala são citados no texto? 

2. O que Alice fez para chegar do outro lado do espelho?

3. No país do espelho, muitas coisas são diferentes das que Alice está acostumada a ver. Cite pelo menos duas delas.

4. Ao passar para o país do espelho, Alice conversa com seres que normalmente não falam. Que seres são esses?

5. Dois desses seres são personagens da história e os nomes deles são citados no texto. Quem são esses personagens?


6. Releia o trecho abaixo. 

Insistiu em seguir até o morro em linha reta, mas o caminho deu um tranco violento que a fez ir parar de novo na porta da casa. 
Zangada, se pôs a andar outra vez, até que esbarrou em um canteiro de margaridas e lírios e disse a um deles: 
— Amigo Lírio, que pena as flores não falarem. 
— Falamos, sim, mas só quando vale a pena. 

a) Por que Alice ficou zangada? 
b) Circule no trecho a parte que corresponde à conversa entre Alice e uma das personagens. 

7. De que forma Alice conseguiu se encontrar com a Rainha Vermelha? 

8. Alice achou que o conselho da Rosa "era tolice" e não o seguiu inicialmente. A visão de mundo das duas personagens era muito diferente. O que devemos fazer quando recebemos um conselho de alguém que tem uma visão de mundo diferente da nossa?

GABARITO

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