Conto - 6ºano - atividade de leitura e interpretação com respostas


ORIENTAÇÃOES:
Escreva no caderno: Atividade de leitura e interpretação do conto “Um caso de amor”.
Leia o conto com atenção, se precisar, faça isso mais de uma vez.
Copie as perguntas COMPLETAS no caderno e responda-as. 
  Faça um resumo no caderno com suas palavras sobre este conto.

UM CASO DE AMOR
Um pião e uma bola estavam numa gaveta, junto com outros brinquedos, e o pião disse para a bola: “Por que a gente não namora, já que nós dois vivemos na mesma gaveta?”. Mas a bola, que era toda recoberta de marroquim¹ colorido e se considerava uma dama muito refinada, nem sequer respondeu a essa pergunta.
No dia seguinte, o menino que era dono dos brinquedos abriu a gaveta. Depois de pintar o pião de vermelho e dourado, cravou-lhe um prego de latão bem no meio – e o resultado foi maravilhoso, quando o pião girou, zumbindo.
“Olhe para mim!”, o pião falou para a bola. “O que você me diz agora? Vamos namorar? Nós formamos um belo par – você pulando, e eu dançando. Não existiria casal mais feliz.”
“Isso é o que você acha!”, a bola respondeu. “Você ainda não entendeu que meus pais eram chinelos marroquinos e que eu tenho cortiça dentro de mim!”
“Tudo bem – mas eu sou de mogno²”, o pião rebateu.
“O prefeito me fabricou no torno dele e ficou encantado comigo.”
“Pois sim... pensa que eu acredito em você?”, a bola replicou. E o pião declarou que nunca mais havia de rodar, se estivesse contando lorota³.
“Até que você fala muito bem, para alguém da sua espécie”, a bola admitiu. “Mas não posso fazer nada. Estou praticamente comprometida com um pardal. Toda vez que me levanto nos ares, ele espicha a cabeça para fora do ninho e pergunta: ‘Quer? Quer?’, e agora eu resolvi que vou responder ‘sim’, e isso é praticamente a mesma coisa que ficar noiva. Mas prometo que nunca me esquecerei de você.” 
“Bom, é um grande consolo”, o pião respondeu; e isso foi tudo que falaram um para o outro.
No dia seguinte a bola foi embora. O pião ficou olhando, quando ela voou como um passarinho e sumiu de vista. Mas logo ela desceu de novo e, ao bater no chão, deu um salto (...). Isso se repetiu várias vezes, até que a bola sumiu mesmo e não desceu mais; o menino a procurou por toda parte, porém não a encontrou.
“Eu sei onde ela está!”, o pião suspirou. “Ela está no ninho do pardal. Ela se casou com o pardal.”
Quanto mais pensava na bola, mais o pião a amava. O fato de não ter conseguido conquistá-la só aumentava seu amor (...). E dessa maneira se passaram muitos anos, e a bola se tornou um amor antigo.
E o pião também já não era jovem...! Um dia, no entanto, ele se viu todo pintado de dourado (...) e saltava, e zumbia – ziii! Era fantástico! De repente, contudo, ele pulou muito alto – e desapareceu.
As pessoas da casa o procuraram por toda parte, até no porão, mas não o acharam. Onde ele teria se enfiado?
Bem – ele tinha ido parar dentro da lata de lixo, onde topou com todo tipo de resto, como talos de repolho, ciscos colhidos pela vassoura e sujeira que caíra da calha.
“Que lugar para se ficar! Meu dourado não vai durar muito por aqui”. E pelo canto do olho o pião espiou para um talo de repolho que estava bem perto dele e para uma coisa redonda, muito esquisita, que mais parecia uma maçã podre. Mas não era uma maçã; era a bola velha, que tinha passado muitos anos na calha e agora estava encharcada.
“Até que enfim apareceu alguém com quem se pode conversar”, a bola falou, examinando o pião dourado. “Sabe, eu sou de couro marroquino e tenho cortiça dentro de mim, apesar de você não imaginar isso, quando me vê. Eu ia me casar com um pardal, mas caí na calha e lá fiquei durante cinco anos, me encharcando de água. É muito tempo para uma moça, pode crer!”
O pião, no entanto, não abriu a boca. Pensava em seu amor antigo e, quanto mais ouvia a bola falar, mais claramente entendia que ela era sua amada.
Então a empregada veio despejar o lixo. “Ora, ora! O pião dourado!”, ela se surpreendeu. E levou o pião para a sala, onde o receberam com muitos elogios e aplausos, porém nunca mais se teve notícia da bola.
E o pião nunca mais mencionou seu velho caso de amor.

(Hans Christian Andersen. Histórias do cisne. São Paulo:
Companhia das Letrinhas, 2002. Adaptado.)

VOCABULÁRIO
1. Marroquim: couro muito caro, de cabra marroquina.
2. Mogno: árvore de madeira dura, marrom-avermelhada, muito apreciada para marcenaria.
3. Lorota: mentira, história mal contada.

QUESTÃO 1
Na literatura infantil, uma das características comuns a diversos contos é o fato de a personagem principal enfrentar desafios para conquistar algo muito desejado.

A alternativa que melhor expressa o que o pião queria conquistar é:
a) a amizade de uma bola antiga, com a intenção de aprender a dançar.
b) a admiração de um menino, dono de todos os brinquedos da casa onde vivia.
c) o amor de uma bola, acreditando que fariam um belo par.
d) um novo lar, já que era um brinquedo esquecido pelo menino, seu dono.
e) a admiração de uma maçã podre.

QUESTÃO 2
Em determinado momento da história, surge o dono dos brinquedos. Abrindo a gaveta, essa personagem realiza uma transformação no pião.

Leia as afirmações feitas a respeito desse episódio, bem como suas consequências.
I. A transformação ocorrida foi pintar o pião de dourado – fato que gerou o descontentamento do brinquedo, que, não gostando das mudanças, sentiu-se feio e envergonhado.
II. O brinquedo ficou tão feliz por ter sido pintado de dourado que passou a girar, zumbir, e podia até dançar.
III. O pião permaneceu anos e anos olhando-se no espelho, admirando a própria transformação, e nem se lembrava mais da bola que quisera, um dia, namorar.
IV. Um dia o pião foi parar numa lata de lixo – fato fundamental para o desfecho da história, uma vez que ali pôde reencontrar seu antigo amor.
V. Por sentir-se feio e envergonhado, o pião se escondeu propositalmente numa lata de lixo e lá ficou, para sempre.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões):
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) II e IV, apenas.
e) I e V, apenas.

QUESTÃO 3
Releia este trecho do texto.

“Até que você fala muito bem, para alguém da sua espécie”, a bola admitiu. “Mas não posso fazer nada. Estou praticamente comprometida com um pardal. Toda vez que me levanto nos ares, ele espicha a cabeça para fora do ninho e pergunta: ‘Quer? Quer?’, e agora eu resolvi que vou responder ‘sim’, e isso é praticamente a mesma coisa que ficar noiva.”

Que trecho dessa fala da bola revela que ela reconhece ao menos uma qualidade do pião?
a) Estou praticamente comprometida com um pardal.
b)‘Quer? Quer?’
c) Até que você fala muito bem, para alguém da sua espécie.
d) Eu resolvi que vou responder ‘sim’, e isso é praticamente a mesma coisa que ficar noiva.
e) Mas não posso fazer nada.

QUESTÃO 4
As afirmações a seguir tratam do desaparecimento do pião. Porém, uma delas não é verdadeira. Leia-as.

I. Como já estava muito cansado e não era mais tão jovem, o pião gostou do local para onde tinha se arremessado, pois a lata de lixo era um lugar onde ninguém o encontraria.
II. No lugar onde estava, o pião foi visto por um objeto que parecia uma maçã podre. Esse
objeto começou a conversar com o pião, dizendo que deveria ter se casado com um pardal, mas ficara preso numa calha, encharcando-se de água.
III. O pião, apesar de incomodado por ter ido parar num lugar como aquele – e preocupado com sua pintura dourada – reconheceu a tal “maçã podre” como sua antiga amada.
IV. A antiga bola não demonstrou reconhecer o pião no momento em que se reencontraram na lata de lixo, comprovando-se tal fato por meio do trecho em que ela faz uma descrição de si mesma, como que se apresentando a ele.
V. Quanto mais ouvia a bola falar, mais claramente o pião entendia que ela era sua amada. No entanto, não teve tempo de declarar sua identidade a ela, pois foi resgatado do lixo pela empregada. Assim, nunca mais obteve notícias de seu antigo amor.

A única afirmação incorreta é:
a) I.
b) II.
c) III.
d) IV.
e) V.

ATIVIDADE DE PRODUÇÃO DE TEXTO: Faça um resumo sobre o conto no caderno de língua portuguesa com suas palavras. Não esqueça o rascunho!

GABARITO