IRACEMA interpretação de texto (gabarito)



GABARITO

1. Martim volta para fundar a "mairi dos cristãos", ou seja, iniciar o processo de colonização das novas terras e de conversão dos povos indígenas. 

a) "Muitos guerreiros de sua raça acompanharam o chefe branco, para fundar com ele a mairi dos cristãos. Veio também um sacerdote de sua religião, de negras vestes, para plantar a cruz na terra selvagem". 

b) Não. Alencar apresenta a colonização e a catequização dos povos indígenas, isto é, o processo de aculturação, de modo natural. Ele sugere a necessidade de "salvar" os índios pela religião, já que essa "terra selvagem" teria uma cruz plantada por um sacerdote da religião do chefe branco. 

2. Poti é o que primeiro se ajoelha diante da cruz para ser batizado, abrindo mão de sua cultura, de seu nome e de suas crenças. Para o índio, isso não representa submissão; ao contrário, na cena, Poti está feliz, pois "não sofria ele que nada mais o separasse de seu irmão branco. Deviam ter ambos um só deus, como tinham um só coração". Toda a cena sugere que o índio se entrega de bom grado à cultura do conquistador português, sem lamentar o processo de aculturação por que passa. 

> A conversão de Poti indica que o processo de colonização vem associado à catequização dos índios. Mais do que isso, da maneira como a cena é apresentada, percebe-se a sugestão de que esse processo foi natural para os indígenas, que docilmente aceitavam a nova religião, como se estivessem esperando a "salvação" do homem branco.

3. O projeto indianista tinha como propósito escrever romances que valorizassem o elemento brasileiro não marcado pela colonização. Nesse sentido, Alencar usa a fala de Batuirité para "denunciar" o massacre de um povo e de sua cultura. Na cena final, o que está em jogo, como enfatiza o narrador, é a adoção do "Deus verdadeiro". Brasileiro do século XIX, Alencar vive em um país cristão. Educado por uma sociedade que não questiona a supremacia branca nem sua religião, o autor acaba por refletir em suas obras essa visão: transforma Peri em um perfeito "cavalheiro português" e faz Poti abraçar alegremente a fé de seu "irmão" português. 

4. Segundo o antropólogo, com a catequização, o índio passa a ver o mundo a partir da perspectiva cristã, ou seja, os valores que antes ele cultuava (a liberdade, a ingenuidade, a bravura, a criatividade, a alegria) acabam contaminados pelos conceitos cristãos do pecado, da punição, da covardia. 

5. Darcy Ribeiro apresenta uma visão negativa dessa conversão. Segundo o antropólogo, a cristandade traz para o índio o mundo do pecado e do sofrimento, negando todos os seus costumes, ou condenando-os como inadequados aos valores cristãos. Nesse cenário, "todo o futuro possível seria a negação mais horrível do passado, uma vida indigna de ser vivida por gente verdadeira". 

6.
a) Na comparação proposta pelo trecho citado, Iracema, a virgem de Tupã, seria vista como uma espécie de Eva indígena que, como no Gênesis, seduz Martim (equiparado a Adão) não propriamente com o fruto proibido, mas com o licor da Jurema. A fuga e a perseguição dos amantes seriam os equivalentes da queda e consequente expulsão do paraíso na narrativa bíblica. Por associação ao mito bíblico, também se poderia dizer que cai sobre Iracema o castigo do parto com dor, que marca o nascimento de Moacir, "filho do sofrimento". 

b) O novo redentor seria representado por Moacir, filho de Iracema e Martim, que, além de ser o primeiro cearense, é o primeiro mestiço, representando assim não só o nascimento de um novo povo (o brasileiro), mas a possibilidade de união harmônica entre as duas raças (a do colonizador e a do colonizado).