Poema para roda de leitura - Manoel por Manoel - Infância (7ºano) Habilidade EF69LP46


Manoel por Manoel 
[...] Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação. 
Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão: de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore. Então eu trago das minhas raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua vem de eu ter sido criança em algum lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela. Era o menino e os bichinhos. Era o menino e o sol. 
O menino e o rio. Era o menino e as árvores. 

BARROS, Manoel de. Memórias inventadas: a infância. São Paulo: 
Planeta do Brasil, 2010. p. 187. (Fragmento). 

GLOSSÁRIO

Comparamentos: a palavra comparamento é um neologismo, isto é, foi inventada com base em regras de formação de palavras da nossa língua. Assim: encantar → encantamento, sofrer → sofrimento. Por analogia: comparar → comparamento. 
Comunhão: no contexto do poema, união, identificação, sintonia de sentimentos, de modo de pensar, agir ou sentir. 
Crianceiras: outro neologismo. Observe que ao radical (morfema com o significado principal) criança foi acrescentado o sufixo eira, como acontece em doce → doceira. Além disso, como a palavra está qualificando outra ("raízes crianceiras"), ela funciona como se fosse um adjetivo. 
Oblíqua: no contexto do poema, que não é direta; torta, tortuosa. 
Pudor: no contexto do poema, sentimento de vergonha, timidez. 
Paradoxo: como a metáfora e a comparação, o paradoxo é um jeito figurado de usar a linguagem. Em um paradoxo rompe-se com a lógica, com o esperado, sugerindo-se uma realidade nova, expressa na união de contrários. No poema um exemplo de paradoxo é "o escuro me ilumina". 

HABILIDADE EF69LP46

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