Período composto e figuras de linguagem exercícios com habilidades e gabarito (9ºano)


**Gabarito e comentários no final**

Leia um trecho de um texto de João do Rio, do início do século XX, e responda às questões de 1 a 3.

Eu amo a rua. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós. Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia, mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este mesmo o sentimento imperturbável e indissolúvel, o único que, como a própria vida, resiste às idades e às épocas. Tudo se transforma, tudo varia – o amor, o ódio, o egoísmo. Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia. Os séculos passam, deslizam, levando as coisas fúteis e os acontecimentos notáveis. Só persiste e fica, legado das gerações cada vez maior, o amor da rua.
[...]

JOÃO DO RIO. A alma encantadora das ruas.  

Questão 1  – EF89LP33

Esse texto pode ser classificado como:
a) Conto de cunho social, porque o autor critica aspectos da sociedade em uma narrativa.
b) Conto psicológico, porque se retrata predominantemente a fruição do pensamento de um personagem de uma narrativa.
c) Crônica, porque há a defesa de um ponto de vista pela predominância de trechos descritivos.
d) Crônica, porque o autor tece reflexões a partir de algo cotidiano: a observação das ruas.

Questão 2  – EF09LP08

Assinale a alternativa em que há uma oração subordinada substantiva.
a) “[...] e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós.”
b) “Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia.”
c) “Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia, mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua.”
d) “Só persiste e fica, legado das gerações cada vez maior, o amor da rua.”

Questão 3  – EF89LP37

Sinestesia é uma figura de linguagem que relaciona sensações percebidas por diferentes órgãos dos sentidos. Assinale a alternativa abaixo em que ocorre sinestesia.
a) “[...] e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós.”
b) “Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia.”
c) “Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais [...].”
d) “Os séculos passam, deslizam, levando as coisas fúteis e os acontecimentos notáveis.”

Leia o trecho a seguir do conto “O enfermeiro”, de Machado de Assis, e responda às questões de 4 a 7. 

O conto narra história de Procópio, um enfermeiro convidado por um padre para cuidar do Coronel Felisberto, que sofre de aneurisma – um inchaço em uma artéria do cérebro. A convivência dos dois, no entanto, não é das melhores. Procópio sofre com ofensas, humilhações e agressões de seu patrão. Certo dia, durante um desses acessos de raiva, o enfermeiro acaba por esganar o coronel. Os dois parágrafos transcritos a seguir mostram as reações de Procópio ao perceber o que fez.

[...]
Quando percebi que o doente expirava, recuei aterrado, e dei um grito; mas ninguém me ouviu. Voltei à cama, agitei-o para chamá-lo à vida, era tarde; arrebentara o aneurisma, e o coronel morreu. Passei à sala contígua, e durante duas horas não ousei voltar ao quarto. Não posso mesmo dizer tudo o que passei, durante esse tempo. Era um atordoamento, um delírio vago e estúpido. Parecia-me que as paredes tinham vultos; escutava umas vozes surdas. Os gritos da vítima, antes da luta e durante a luta, continuavam a repercutir dentro de mim, e o ar, para onde quer que me voltasse, aparecia recortado de convulsões. Não creia que esteja fazendo imagens nem estilo; digo-lhe que eu ouvia distintamente umas vozes que me bradavam: assassino! assassino!
Tudo o mais estava calado. O mesmo som do relógio, lento, igual e seco, sublinhava o silêncio e a solidão. Colava a orelha à porta do quarto na esperança de ouvir um gemido, uma palavra, uma injúria, qualquer coisa que significasse a vida, e me restituísse a paz à consciência. Estaria pronto a apanhar das mãos do coronel, dez, vinte, cem vezes. Mas nada, nada; tudo calado. Voltava a andar à toa na sala, sentava-me, punha as mãos na cabeça; arrependia-me de ter vindo. “Maldita a hora em que aceitei semelhante coisa!” exclamava. E descompunha o padre de Niterói, o médico, o vigário, os que me arranjaram um lugar, e os que me pediram para ficar mais algum tempo. Agarrava-me à cumplicidade dos outros homens.
[...]

MACHADO DE ASSIS. O enfermeiro. 


Questão 4  – EF89LP37
Leia as definições de duas figuras de linguagem e encontre no trecho um exemplo de cada uma. Em seguida, explique o efeito de sentido que elas provocam no texto.

Antítese: junção de duas ideias opostas.
Eufemismo: emprego de uma expressão para amenizar o impacto de outra.

Questão 5  – EF69LP47
Observe a construção do tempo nesse trecho do conto. Como ele pode ser classificado? Qual o efeito de sentido que isso provoca na narrativa? Justifique sua resposta.

Questão 6 – EF09LP08 e EF09LP11
Releia este período extraído do conto de Machado de Assis:
Quando percebi que o doente expirava, recuei aterrado [...].

a) Esse período é composto por coordenação ou por subordinação? Justifique sua resposta.
b) Que efeito de sentido o emprego desse tipo de período provoca no trecho lido?

Questão 7  – EF09LP04
Agora, crie um parágrafo que dê continuidade ao trecho lido. Lembre-se de utilizar períodos compostos e adequar o texto à norma-padrão. 

Leia o início de um conto de Lima Barreto de 1921 e responda às questões 8 a 10.

QUE PODIA ela dizer, após três meses de casada, sobre o casamento?
Era bom? Era mau?  
Não se animava a afirmar nem uma coisa, nem outra. Em essência, “aquilo” lhe parecia resumir-se em uma simples mudança de casa.  
A que deixara não tinha mais nem menos cômodos do que a que viera habitar; não tinha mais “largueza”; mas a nova possuía um jardinzito minúsculo e uma pia na sala de jantar.  
Era, no fim de contas, a diminuta diferença que existia entre ambas.  
Passando da obediência dos pais, para a do marido, o que ela sentia, era o que se sente quando se muda de habitação.  
No começo, há nos que se mudam, agitação, atividade; puxa-se pela ideia, a fim de adaptar os móveis à casa nova e, por conseguinte, eles, os seus recentes habitantes também; isso, porém, dura poucos dias.  
No fim de um mês, os móveis já estão definitivamente “ancorados”, nos seus lugares, e os moradores se esquecem de que residem ali desde poucos dias.  
Demais, para que ela não sentisse, profunda modificação, no seu viver, advinda com o casamento, havia a quase igualdade de gênios e hábitos de seu pai e seu marido.  
Tanto um como outro, eram corteses com ela; brandos no tratar, serenos, sem impropérios, e ambos, também, meticulosos, exatos e metódicos. Não houve, assim, abalo algum, na sua transplantação de um lar para outro.  
Contudo, esperava, no casamento alguma coisa de inédito até ali, na sua existência de mulher: uma exuberante e contínua satisfação de viver.  
Não sentiu, porém, nada disso.
[...]

LIMA BARRETO. O número da sepultura.

Questão 8  – EF69LP44
a) A partir da leitura do conto, que comportamento era esperado das mulheres em 1921? Explique com trechos do texto.
b) De maneira geral, esse comportamento ainda é esperado das mulheres atualmente? 

Questão 9 – EF09LP11
Releia este trecho do conto de Lima Barreto:

Contudo, esperava, no casamento alguma coisa de inédito até ali, na sua existência de mulher: uma exuberante e contínua satisfação de viver.
Não sentiu, porém, nada disso.

Explique o efeito de sentido provocado pelo uso das conjunções adversativas destacadas.

Questão 10  – EF09LP11
Que expressões são utilizadas nesse texto para marcar a sequência em que os eventos narrados aconteceram?


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