Texto de divulgação científica 6ºano - Interpretação com gabarito - Sistema solar


O texto abaixo é um trecho do livro de divulgação científica Breve história de quase tudo, em que o jornalista Bill Bryson buscou traduzir para o público comum as principais questões da ciência atual. Leia-o com atenção para responder às questões.

Bem-vindo ao sistema solar


Astrônomos de hoje conseguem fazer coisas do arco da velha. Se alguém acendesse um fósforo na Lua, eles conseguiriam detectar a chama. Das mais ínfimas pulsações e estremecimentos das estrelas distantes, eles inferem o tamanho e o caráter [...] de planetas remotos demais para serem vistos — planetas tão distantes que levaríamos meio milhão de anos numa nave espacial para chegar até eles. [...]
Em suma, não há muita coisa acontecendo no universo que os astrônomos não consigam detectar, se estiverem dispostos. Por isso, é estranho que até 1978 ninguém jamais tivesse observado que Plutão possui uma lua. No verão daquele ano, um astrônomo jovem chamado James Christy, do Observatório Naval dos Estados Unidos, em Flagstaff, Arizona, vinha realizando um exame de rotina nas imagens fotográficas de Plutão quando viu que havia algo ali — algo indistinto e incerto, mas definitivamente diferente de Plutão. Consultando um colega chamado Robert Harrington, ele concluiu que o que estava vendo era uma lua. E não era uma lua qualquer. Em relação ao planeta, era a maior lua do sistema solar. 
[...]
Ora, uma pergunta natural é por que demorou tanto tempo para se descobrir uma lua em nosso próprio sistema solar. [...] O fator principal é para onde eles apontaram seus instrumentos. Nas palavras do astrônomo Clark Chapman: 
“A maioria das pessoas acha que os astrônomos vão de noite aos observatórios vasculhar o céu. Isso não é verdade. Quase todos os telescópios existentes no mundo são projetados para examinar trechos minúsculos do céu, a grandes distâncias, para ver um quasar, caçar buracos negros ou olhar uma galáxia distante.”

BRYSON, Bill. Breve história de quase tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 31-32.

GLOSSÁRIO
Do arco da velha: espantoso, inacreditável.
Inferem: deduzem por meio do raciocínio.
Quasar: objeto astronômico similar a uma estrela. 

Questão 1
Segundo o autor, os astrônomos demoraram tanto para descobrir uma lua em nosso próprio sistema solar, pois 

a) não tinham tecnologia avançada o suficiente para identificar essa lua.
b) os equipamentos, apesar de sofisticados, vasculham áreas muito pequenas do céu.
c) estavam interessados em outras pesquisas e não estavam dispostos a procurá-la.
d) há muita coisa no universo que eles não conseguem detectar.

Questão 2
Com base nos seus conhecimentos sobre substantivos, explique por que no primeiro parágrafo “Lua” aparece com letra maiúscula e, nos demais, com letra minúscula.
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Questão 3
Embora nos textos de divulgação científica predomine uma linguagem mais formal, qual é o efeito de sentido obtido com o uso de uma expressão informal como “do arco da velha”?
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Questão 4
Identifique os numerais presentes no primeiro parágrafo do texto e explique o papel que eles têm no trecho.
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GABARITO E COMENTÁRIOS

Questão 1
Resposta certa: b.
Essa questão avalia a capacidade de o(a) estudante identificar a ideia central da cena com base em informações explícitas, de acordo com a habilidade (EF69LP29).
A escolha da alternativa a indica que o(a) estudante não compreendeu completamente o primeiro parágrafo e o começo do segundo, em que o autor relata a enorme capacidade que os astrônomos têm atualmente para detectar tudo o que se passa no espaço. Nesse caso, peça ao(à) estudante que releia essa parte e destaque os trechos que falam da capacidade da tecnologia atual.
A escolha da alternativa c indica uma compreensão imprecisa da primeira frase do segundo parágrafo. Quando o autor escreve “não há muita coisa acontecendo no universo que os astrônomos não consigam detectar, se estiverem dispostos”, ele não afirma que os cientistas não estavam dispostos a encontrar a lua. Ele faz uma afirmação de cunho geral ressaltando a capacidade elevada dos astrônomos de saber o que ocorre no universo. Nesse caso, aponte isso para o(a) estudante e peça-lhe que releia a frase.
A escolha da alternativa d indica equívoco similar ao da alternativa anterior, já que a mesma frase aborda o alcance das ferramentas de detecção dos astrônomos. O problema não é conseguir detectar, e sim não estar com os aparelhos voltados para determinada área. Nesse caso, adote procedimento semelhante ao da alternativa anterior.

Questão 2
Resposta esperada: No primeiro parágrafo, “Lua” é grafada com letra inicial maiúscula porque se refere a um ser específico: a lua que orbita em torno da Terra. É, portanto, um substantivo próprio. Já nos demais parágrafos, a palavra refere-se a satélites de outros planetas, são substantivos comuns que nomeiam seres da mesma espécie.
Essa questão avalia a capacidade de o(a) estudante reconhecer a diferença entre substantivo próprio e comum e como isso reflete na grafia dessas palavras, de acordo com a habilidade (EF69LP56).
A principal dificuldade esperada é o(a) estudante não ser capaz de perceber que o satélite que orbita a Terra tem uma especificidade em relação aos demais, por isso é considerado um substantivo próprio e é grafado com letra inicial maiúscula. Nesse caso, mostre ao(à) estudante que a mesma coisa ocorre com a palavra “terra” (solo, terreno etc.) e “Terra” (nosso planeta).

Questão 3 
Resposta esperada: O efeito é deixar o texto mais leve e coloquial, o que ajuda a aproximar o leitor de um tipo de texto que, pelo potencial de complexidade, pode intimidar o leitor.
A questão avalia a capacidade de o(a) estudante identificar o efeito de sentido obtido pelo uso de uma figura de linguagem em um texto de divulgação científica, de acordo com as habilidades (EF89LP37) e (EF69LP29).
É possível que o(a) estudante apresente dificuldade em perceber como o uso dessa expressão ajuda a deixar o texto mais leve e menos intimidante. Nesse caso, peça-lhe que compare a frase do texto com uma versão mais formal como “Astrônomos de hoje conseguem fazer coisas inacreditáveis”, de modo a perceber a diferença.

Questão 4 
Resposta esperada: Os numerais presentes no primeiro parágrafo são “meio” e “milhão”. Eles são importantes pois quantificam para o leitor a enorme distância dos planetas que podem ser detectados pelos astrônomos.
A questão avalia a capacidade de o(a) estudante identificar o papel que o numeral pode ter em um texto de divulgação científica, de acordo com as habilidades (EF08LP09) e (EF69LP29).
As duas principais dificuldades possíveis são o(a) estudante não identificar “meio” como numeral e não compreender o papel dos numerais na frase. Em relação à primeira, retome com o(a) estudante o conceito de numeral fracionário e saliente a diferença quantitativa entre um milhão e meio milhão. No segundo caso, explique ao(à) estudante que o uso de numerais dá uma ideia muito mais concreta da distância dos planetas detectados do que o emprego de expressões como “muito longe”.