Interpretação 4ºano - “As lágrimas de Potira” (mito) Versão do aluno em PDF e do professor

**Versão do aluno em PDF no final da página**

HABILIDADES POR QUESTÃO

1.
Habilidade avaliada: identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem uma narrativa.
A resposta não precisa ser literal, mas deve conter a ideia de que a tribo foi invadida e o marido de Potira foi para a guerra.

2.
Habilidade avaliada: estabelecer a relação causa/consequência entre partes e elementos do texto.
A resposta não precisa ser literal, mas deve falar da morte de Itagibá. 

3.
Habilidade avaliada: estabelecer a relação causa/consequência entre partes e elementos do texto.
A resposta não precisa ser literal, mas deve falar da morte de Itagibá.  

4.
Habilidade avaliada: localizar informações explícitas em um texto. 
A resposta deve ser literal.


5.
Habilidade avaliada: estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para sua continuidade.

6.
Habilidade avaliada: inferir o tema e o assunto, demonstrando compreensão global do texto. 
A resposta não precisa ser literal, desde que mostre a origem dos diamantes.

7.
Habilidade avaliada: identificar se o narrador é observador ou personagem.

ATIVIDADE

Leia o texto a seguir para responder às questões. 

As lágrimas de Potira

Muito antes de os brancos atingirem os sertões de Goiás, em busca de pedras preciosas, existiam por aquelas partes do Brasil muitas tribos indígenas, vivendo em paz ou em guerra e segundo suas crenças e hábitos.
Numa dessas tribos, que por muito tempo manteve a harmonia com seus vizinhos, viviam Potira, menina contemplada por Tupã com a formosura das flores, e Itagibá, jovem forte e valente.
Era costume na tribo as mulheres se casarem cedo e os homens assim que se tornassem guerreiros.
Quando Potira chegou à idade do casamento, Itagibá adquiriu sua condição de guerreiro. Não havia como negar que se amavam e que tinham escolhido um ao outro. Embora outros jovens quisessem o amor da indiazinha, nenhum ainda possuía a condição exigida para as bodas, de modo que não houve disputa, e Potira e Itagibá se uniram com muita festa.
Corria o tempo tranquilamente, sem que nada perturbasse a vida do apaixonado casal. Os curtos períodos de separação, quando Itagibá saía com os demais para caçar, tornavam os dois ainda mais unidos. Era admirável a alegria do reencontro!
Um dia, no entanto, o território da tribo foi invadido por vizinhos cobiçosos, devido à abundante caça que ali havia, e Itagibá teve que partir com os outros homens para a guerra.
Potira ficou contemplando as canoas que desciam rio abaixo, levando sua gente em armas, sem saber exatamente o que sentia, além da tristeza de se separar de seu amado por um tempo não previsto. Não chorou como as mulheres mais velhas, talvez porque nunca houvesse visto ou vivido o que sucede numa guerra.
Mas todas as tardes ia sentar-se à beira do rio, numa espera paciente e calma. Alheia aos afazeres de suas irmãs e à algazarra constante das crianças, ficava atenta, querendo ouvir o som de um remo batendo na água e ver uma canoa despontar na curva do rio, trazendo de volta seu amado. Somente retornava à taba quando o sol se punha e depois de olhar uma última vez, tentando distinguir no entardecer o perfil de Itagibá.
Foram muitas tardes iguais, com a dor da saudade aumentando pouco a pouco. Até que o canto da araponga ressoou na floresta, desta vez não para anunciar a chuva, mas para prenunciar que Itagibá não voltaria, pois tinha morrido na batalha.
E pela primeira vez Potira chorou. Sem dizer palavra, como não haveria de fazer nunca mais, ficou à beira do rio para o resto de sua vida, soluçando tristemente. E as lágrimas que desciam pelo seu rosto sem cessar foram-se tornando sólidas e brilhantes no ar, antes de submergir na água e bater no cascalho do fundo.
Dizem que Tupã, condoído com tanto sofrimento, transformou suas lágrimas em diamantes, para perpetuar a lembrança daquele amor.

Itororó - Português, v. 2. MEC, Brasília: 2000.  

INTERPRETAÇÃO DO TEXTO

1. Em que momento da história começa o problema para Potira? 
Resposta: Quando a tribo é invadida e Itagibá parte com os outros homens para a guerra.
Comentário: O objetivo desse item é avaliar a habilidade do aluno de reconhecer os fatos que desencadeiam o conflito ou que provocam as ações dos personagens, dando origem ao enredo. Para responder a essa questão, o aluno precisará identificar os acontecimentos que dão origem aos fatos apresentados na narrativa, o conflito que gera o enredo. Pode também estar ligado ao personagem principal, ao narrador da história ou ao seu desfecho.

2. Releia esta passagem do texto:

“Numa dessas tribos, que por muito tempo manteve a harmonia com seus vizinhos, viviam Potira, menina contemplada por Tupã com a formosura das flores, e Itagibá, jovem forte e valente.”

O trecho destacado em negrito indica que Potira foi contemplada com:
a) o perfume das flores.
b) a beleza das flores.
c) a feiura das flores.
d) a doença das flores.
Resposta: A beleza das flores.
Comentário: Nesse item, está em jogo a habilidade de inferir o sentido de uma expressão considerando o texto.

3. Qual a causa das lágrimas de Potira? 
Resposta: A morte de seu marido Itagibá.
Comentário: O objetivo desse item é avaliar a habilidade do aluno de reconhecer as relações expressas entre os fatos que são apresentados no texto, suas relações e a forma como um resulta no outro. Para o aluno responder a essa questão, ele precisa reconhecer as relações estabelecidas entre as diferentes partes que compõem o texto, identificando as relações de causa e efeito, problemas e soluções, entre outros.

4. Quem transformou as lágrimas de Potira em diamantes?
Resposta: Tupã.
Comentário: A finalidade desse item é avaliar a habilidade do aluno de localizar informações no texto. Para responder a essa questão, o aluno tem que localizar a informação solicitada que se encontra expressa literalmente no texto, seguindo pistas fornecidas pelo próprio texto.
 
5. Marque a alternativa correta.
No texto, a expressão “aquelas partes do Brasil” refere-se:
a) ao nordeste brasileiro. 
b) à região amazônica.
c) os sertões de Goiás.
d) os sertões da Bahia. 
Resposta: Aos Sertões de Goiás.
Comentário: O objetivo é avaliar a habilidade que o aluno tem de reconhecer a função dos elementos que dão coesão ao texto. Para responder a essa questão, o aluno terá de identificar as relações entre as partes do texto por meio de expressões que foram substituídas para dar continuidade e manter seu sentido.

6. O que o mito “As Lágrimas de Potira” explica?
Resposta:  A origem dos diamantes.
Comentário: O objetivo é que o aluno utilize a habilidade de identificar a ideia central do texto. Para identificar o assunto principal do texto, o aluno terá de relacionar as diferentes informações, para descobrir o eixo sobre o qual o texto se organiza. Para isso, tem de se apoiar nos recursos utilizados, como: o tipo de organizadores textuais, o uso de figura de linguagem e de exemplos, inclusive pistas com base no título, para construir o sentido global do texto.
7. O texto é narrado por um narrador-observador ou por um narrador-personagem? Justifique sua resposta.
Resposta: O texto é narrado por um narrador-observador. Espera-se que os alunos identifiquem verbos e pronomes na 3a pessoa do singular.
Comentário: O objetivo da questão é verificar se o aluno consegue identificar qual o foco narrativo do texto. Para fazê-lo, precisa perceber que o narrador não é personagem, ou seja, não participa da história. A identificação de verbos e pronomes na 3a pessoa do singular pode também ajudá-lo nessa tarefa.