Atividade de português 6ºano com habilidades EF67LP28, EF69LP44 (autobiografia Malala)

Antes da leitura do fragmento, converse com os alunos sobre a personagem do texto. Verifique os conhecimentos prévios deles e proponha que levantem hipóteses: Quem é Malala? Por que ela é importante? Por que ela escreveu uma autobiografia? Quantos anos tinha quando a escreveu?

Malala Yousafzai é uma adolescente paquistanesa que, em 2012, sofreu um atentado organizado por extremistas do Movimento Talibã Paquistanês (TTP), que invadiram o ônibus escolar que a transportava para casa depois da aula, atirando-lhe na cabeça. A adolescente foi atendida no hospital militar local antes de ser transportada para Birmingham, no Reino Unido, onde atualmente estuda Economia, Filosofia e Ciências Políticas na Universidade de Oxford. Com o tempo, Malala tornou-se um símbolo mundial da luta contra o extremismo e pelo direito das mulheres à educação, o que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz em 2014, ao lado do ativista indiano Kailash Satyarthi. 

Nasce uma menina

No dia em que nasci, as pessoas da nossa aldeia tiveram pena de minha mãe e ninguém deu os parabéns ao meu pai. Vim ao mundo durante a madrugada, quando a última estrela se apaga. Nós, pachtuns, consideramos esse sinal auspicioso. Meu pai não tinha dinheiro para o hospital ou para uma parteira; então uma vizinha ajudou minha mãe. O primeiro bebê dos meus pais foi natimorto, mas eu vim ao mundo chorando e dando pontapés. Nasci uma menina num lugar onde os rifles são disparados em comemoração a um filho, ao passo que as filhas são escondidas atrás de costinhas, sendo seu papel na vida apenas fazer comida e procriar.

Para a maioria dos pachtuns, o dia em que nasce uma menina é considerado sombrio. O primo de meu pai, Jehan Sher Khan Yousafzai, foi um dos poucos a nos visitar para celebrar meu nascimento e até mesmo nos deu uma boa soma em dinheiro. Levou uma grande árvore genealógica que remontava até meu trisavô e que mostrava apenas as linhas de descendência masculina. Meu pai, Ziauddin, é diferente da maior parte dos homens pachtuns. Pegou a árvore e riscou uma linha a partir de seu nome, no formato de um pirulito. Ao fim da linha escreveu “Malala”. O primo riu, atônito. Meu pai não se importou. Disse que olhou nos meus olhos assim que nasci e se apaixonou. Comentou com as pessoas: “Sei que há algo diferente nessa criança”. Também pediu aos amigos para jogar frutas secas, doces e moedas em meu berço, algo reservado somente aos meninos.

Meu nome foi escolhido em homenagem a Malalai de Maiwand, a maior heroína do Afeganistão. Os pachtuns são um povo orgulhoso, composto de muitas tribos, dividido entre o Paquistão e o Afeganistão. Vivemos como há séculos, seguido um cógido chamado Pachtunwali, que nos obriga a oferecer hospitalidade a todos e segundo o qual o valor mais importante é nang, a honra. A pior coisa que pode acontecer a um pachtum é a desonra. A vergonha é algo terrível para um homem pachtum. Temos um ditador: “Sem honra, o mundo não vale nada.” Lutamos e travamos tantas infindáveis disputas internas que nossa palavra para primo “tarbur” é a mesma que usamos para inimigo. Mas sempre nos unimos contra fortasteiros que tentam conquistar nossas terras. Todas as crianças pachtuns crescem ouvindo a história de como Malalai inspirou o Exército afegão a derrotar o brotânico na Segunda Guerra Anglo- Afegã em 1880.

Malalai era filha de um pastor de Maiwand, pequena cidade de planícies empoeiradas a oeste de Kandahar. Quando tinha dezessete anos, seu pai e seu noivo se juntaram às forças que lutavam para pôr fim à ocupação britânica. Malalai foi para o campo de batalha com outras mulheres da aldeia, para cuidar dos feridos e levar-lhes água. Então viu que os afegãos estavam perdendo a luta e, quando o porta bandeira caiu, ergueu no ar seu véu branco e marchou no campo, diante das tropas.

[...]

Malalai foi morta pelos britânicos, mas suas palavras e sua coragem inspiraram os homens a virar a batalha. Eles destruíram a brigada inteira, uma das piores derrotas do Exército britânico. Os afegãos construíram no centro de Cabul um monumento à vitória de Maiwand. [...] Muitas escolas de meninas no Afeganistão tem o nome dela. Mas meu avô, que era professor de teologia e imã da aldeia, não gostou que meu pai me desse esse nome. “É um nome triste”, disse. “Significa luto, sofrimento”. 

[...]

Meu pai contava a história de Malalai a toda pessoa que viesse à nossa casa. Eu a adorava como amava ouvir as músicas que ele cantava para mim e a maneira como meu nome flutuava ao vento quando alguém o chamava.”

LAMB, Christina YOUSAFZAI, Malala. Eu sou Malala

GLOSSÁRIO

Auspicioso: que gera esperanças; prometedor; de bom agouro.

Forasteiro: aquele que é estranho à terra onde se encontra ou que é de fora.

Natimorto: refere-se ao feto viável que foi expulso morto do útero materno. 

Pachtuns: também chamados pachtos ou pastós, são um grupo etnolinguístico formado principalmente por afegãos e paquistaneses que se caracteriza pela língua própria, pelo código de honra religioso pré-islâmico e pela prática do islamismo.

Parteira: mulher que auxilia quem está em trabalho de parto ou que acabou de parir, mesmo não sendo médica. 

QUESTÕES

1. Releia os dois primeiros parágrafos do texto e indique a alternativa que melhor responde à pergunta: Por que, no dia em que Malala nasceu, as pessoas tiveram pena de sua mãe e não deram parabéns a seu pai? 

a) Malala veio ao mundo durante a madrugada, quando a última estrela se apaga e isso era considerado um sinal auspicioso. 

b) O pai de Malala não tinha dinheiro para o hospital ou para uma perteira, então uma vizinha ajudou sua mãe. 

c) O primeiro bebê de seus pais foi natimorto, mas ela veio ao mundo chorando e dando pontapés. 

d) Malala nasceu menina em lugar onde rifles são disparados em comemoração a um filho, mas as filhas são escondidas atrás de cortinas. 

2. Leia o fragmento a seguir retirado do texto. 

O primo de meu pai, Jehan Sher Khan Yousafzai, foi um dos poucos a nos visitar para celebrar meu nascimento e até mesmo nos deu uma boa soma em dinheiro. Levou uma grande árvore genealógica que remontava até meu trisavô e que mostrava apenas as linhas de descendência masculina. Meu pai, Ziauddin, é diferente da maior parte dos homens pachtuns. Pegou a árvore e riscou uma linha a partir de seu nome, no formato de um pirulito.

Em sua opinião, qual foi a intenção do pai de Malala ao riscar na árvore genealógica uma linha a partir de seu nome no formato de um pirulito? 

3. O nome de Malala foi escolhido em homenagem a Malalai de Maiwand, a maior heroína do Afeganistão. No terceiro parágrafo, lemos: 

Os pachtuns são um povo orgulhoso, composto de muitas tribos, dividido entre o Paquistão e o Afeganistão. [...] empre nos unimos contra fortasteiros que tentam conquistar nossas terras.

Agora, releia do quarto parágrafo ao final do texto e responda: 

a) Quem eram os forasteiros contra quem Malalai de Maiwand lutou?

b) Por que Malalai se tornou uma heroína? 

4. Levante uma hipótese coerente: Ao chamar a filha de Malala, que características da heroína Malalai o pai esperava que ela tivesse? 

5. Releia o trecho a seguir.

Vim ao mundo durante a madrugada, quando a última estrela se apaga. Nós, pachtuns, consideramos esse sinal auspicioso. Para a maioria dos pachtuns, o dia em que nasce uma menina é considerado sombrio.

Com base no que você pôde compreender do decorrer da leitura, responda: 

a) Para o pai de Malala, o nascimento da filha foi considerado um sinal auspicioso ou sombrio? 

b) Releia o segundo parágrafo e identifique uma atitude do pai que justifique sua resposta ao item anterior. 

GABARITO

1. Alternativa d.

2. Resposta pessoal.
Sugestões: Mostrar que a filha era tão importante quanto as pessoas cujos nomes constavam na árvore; mostrar que Malala era tão importante quanto os outros descendentes, que eram do sexo masculino. 

3. 
a)
O exército britânico na Segunda Guerra Anglo-Afegã.
b) Porque, ao marchar no campo diante das tropas britânicas e ser morta, Malalai inspirou o exército afegão com suas palavras e sua coragem. Isso contribuiu para que ganhassem a batalha, destruindo a brigada inteira do exército britânico. 

4. Resposta pessoal. 
É possível que os alunos afirmem que o pai de Malala esperava que ela fosse forte, destemida e corajosa como a heroína Malalai. 

5.
a)
Foi considerado um sinal auspicioso.
b) Quando Malala nasceu, o pai da menina comentou com as pessoas que havia algo diferente naquela criança e pediu aos amigos que jogassem frutas secas, doces e moedas em seu berço, comportamento que costumava ser reservado somente aos meninos.