Concordância verbal 7ºano - Plano de aula BNCC- EF69LP55, EF69LP56, EF06LP06, EF07LP06


Título: Concordância verbal e sujeito em situações de uso da língua

Eixos:
Análise linguística e semiótica 

Competência geral
4.

Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.

Competências específicas de Língua Portuguesa
3.
Ler, escutar e produzir textos orais, escritos e multissemióticos que circulam em diferentes campos de atuação e mídias, com compreensão, autonomia, fluência e criticidade, de modo a se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos, e continuar aprendendo.

5. Empregar, nas interações sociais, a variedade e o estilo de linguagem adequados à situação comunicativa, ao(s) interlocutor(es) e ao gênero do discurso/gênero textual.

7. Reconhecer o texto como lugar de manifestação e negociação de sentidos, valores e ideologias.

Objetos de conhecimento e conteúdos trabalhados

• Sintaxe

• Termos essenciais da oração

• Tipos de sujeito

• Concordância verbal

• Variedade linguística

• Preconceito linguístico

As atividades serão organizadas em diferentes momentos: 

a) leitura de fragmento de entrevistas; 

b) análise linguística do uso dos verbos; 

c) reflexão sobre o uso do sujeito oculto como recurso de concisão textual.

Objetivos

• Consolidar o conceito de sujeito.

• Analisar textos resultantes da transposição da fala para a linguagem escrita e alguns recursos gráficos e linguísticos usados nessa transposição.

• Utilizar adequadamente a concordância verbal em situações de produção oral e escrita.

• Compreender a relação entre a variedade linguística e seu contexto de uso.

Organização da turma:
Os(as) estudantes serão organizados(as) em duplas e em trios.

Materiais:
Caderno para registro das atividades e análises.
Textos impressos.

Duração: 3 aulas.

APRESENTAÇÃO 

A teorização e a reflexão sobre as regras de concordância são práticas fundamentais para que o(a) estudante possa expandir sua capacidade de produção e interpretação de textos.

Esta sequência didática propõe atividades com ênfase na análise da concordância entre o sujeito e o verbo da oração. Retomando as regras de concordância da gramática normativa, no que diz respeito às relações entre o sujeito e seu respectivo verbo ou locução verbal, amplia-se a teorização por meio de uma reflexão crítica ao apresentar variedades linguísticas, sua legitimação e algumas de suas particularidades.

Sem perder de vista que o texto, nas suas mais diversas modalidades, deve ser o centro de estudos da Língua Portuguesa, nesta sequência didática foram selecionados dois fragmentos de relatos construídos a partir de entrevistas orais que, ainda que se apresente recortado de sua totalidade, permite que os(as) estudantes se aproximem da riqueza e do fascínio da história de vida das pessoas entrevistadas.

RELAÇÃO COM A BNCC

A proposta favorece as seguintes habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), do componente curricular Língua Portuguesa:

(EF69LP55) Reconhecer as variedades da língua falada, o conceito de norma-padrão e o de preconceito linguístico.

(EF69LP56) Fazer uso consciente e reflexivo de regras e normas da norma-padrão em situações de fala e escrita nas quais ela deve ser usada.

(EF06LP06) Empregar, adequadamente, as regras de concordância nominal (relações entre os substantivos e seus determinantes) e as regras de concordância verbal (relações entre o verbo e o sujeito simples e composto).

(EF07LP06) Empregar as regras básicas de concordância nominal e verbal em situações comunicativas e na produção de textos.

METODOLOGIA 

Compreendida como ferramenta fundamental do trabalho, a metodologia pressupõe um(a) estudante ativo(a), participativo(a). Sendo assim, as propostas de atividades buscam levá-los(as) à interlocução tanto no espaço das aulas quanto fora dele, nos momentos de finalização dos trabalhos. A aprendizagem, portanto, acontece por aproximações sucessivas, a partir da ação, reflexão e interação entre os(as) estudantes e o(a) professor(a), tendo como objeto de estudo os textos, que são unidade de base do trabalho em Língua Portuguesa, com a finalidade de constituir o uso de procedimentos de revisão e análise dos textos produzidos, no que se refere à concordância verbal com o sujeito da oração e ao emprego do sujeito oculto como recurso de concisão do texto.

DESENVOLVIMENTO

AULA 1
O sujeito e o verbo

Conteúdos específicos
Compreensão leitora
Sujeito e predicado
Tipos de sujeito

Recursos didáticos:
Caderno para tomada de notas e realização de exercícios propostos ao longo desta sequência.
Cópias dos textos-base:

Texto I: Não tenho vergonha da minha história. História de Raimunda Cruz do Nascimento. Museu da Pessoa. 29 dez. 2014.
Disponível em: <http://www.museudapessoa.net/pt/conteudo/historia/nao-tenho-vergonha-da-minha-historia-98280/colecao/100463>. (Fragmento).

Texto II: Entrevista de história de vida de Alaíde Costa. Museu da Pessoa.
Disponível em: <http://www.museudapessoa.net/pt/conteudo/historia/entrevista-de-historia-de-vida-de-alaide-costa-45781>. (Fragmento).

Gestão dos (as) estudantes:
Estudantes dispostos(as) em duplas ou trios.

Habilidades:
(EF69LP55); (EF69LP56); (EF06LP06); (EF07LP06)

Encaminhamento

1. Providencie, previamente à aula, a reprodução dos dois textos necessários ao desenvolvimento desta sequência didática. Ambos são pequenos trechos retirados de entrevistas, extraídos do site do Museu da Pessoa. Para cumprir bem a dinâmica prevista nessa sequência, os dois textos podem ser reunidos em uma única página e cada estudante deve receber uma cópia deles.

Texto I

[...]
Eu não ia estudar pelo seguinte, eu não tinha tempo pra estudar. Minha mãe não tinha com que comprar material escolar pra botar os outros na escola, porque o que a gente ganhava era tão pouco, se tirasse pra comprar material didático pra ir pra escola não tinha o que dar de comer às crianças. 

Quando não tinha beiju a gente tomava café da manhã era com farinha mesmo. Ela fazia o chá de cidreira, botava um pozinho de farinha dentro e mexia, aí ficava aquele mingauzinho fino de cidreira. E ela botava uma canequinha pra cada um. E assim a gente levava a nossa vida.

Eu fui uma criança que brinquei de noite quando dava tempo. Quando minha mãe saía comigo de noite, às vezes, ela botava os meninos pra dormir, aí dizia: “Minha filha, vamos lá na casa da dona Chiquinha?”. Nós ia lá na casa dela e lá tinha um menino e uma menina, aí nós brincava de noite. Às vezes, eu levava minhas bonecas de sabugo, que as boneca, primeiro, a gente fazia de sabugo. Às vezes, minha mãe costurava um pedacinho de pano e eu enchia com folha, aí fazia uma boneca. Uma boneca era de pano (riso). Ela enrolava uma cabeça, a bichinha tão feinha, mas era boneca, ela fazia de qualquer maneira aquilo ali pra gente brincar. E aí foi isso, a minha criancice foi mais de trabalhar. Agora tem uma história da minha vida que eu sinto falta.

[...]

MUSEU DA PESSOA. Não tenho vergonha da minha história. História de Raimunda Cruz do Nascimento. 

Disponível em: <http://www.museudapessoa.net/pt/conteudo/historia/nao-tenho-vergonha-da-minha-historia-98280/colecao/100463>.  (Fragmento).

Texto II

[...] Como eu falei, meu pai era forneiro, minha mãe cuidava da casa. Eu cheguei até a ser babá pra ganhar alguma coisa pra ajudar na casa. Ainda menina mesmo, eu fiz isso. Eu me lembro sim, me recordo, mas eu era muito doida, porque eu não concordava com nada que eles gostavam. (risos) Muito agito pra minha cabeça. Eu gostava da calmaria, das coisas mais elaboradas. Então foi um negócio muito difícil, pra mim, trabalhar com essa coisa da música. [...]

MUSEU DA PESSOA. Entrevista de história de vida de Alaíde Costa. 

Disponível em: <http://www.museudapessoa.net/pt/conteudo/historia/entrevista-de-historia-de-vida-de-alaide-costa-45781>. (Fragmento)

O Museu da Pessoa
Esse museu é virtual e tem seu acervo construído de forma colaborativa, aberto a todos que queiram contribuir com o depoimento de sua história de vida, com fotos ou com vídeos. Cumprindo o papel de museu, esse espaço virtual propõe-se ser uma fonte pública de informação, pesquisa e conhecimento.

2. Retome alguns conceitos já estudados em sala de aula: oração, termos essenciais, importância do verbo na formulação de orações, concordância entre o sujeito e o verbo. 

3. Distribua os textos para a turma e peça que leiam apenas o Texto I. Após um tempo para a leitura silenciosa, verifique eventuais dificuldades quanto ao vocabulário. Anote na lousa as palavras desconhecidas apontadas pela turma e, juntos, procurem inferir o significado delas no texto.

4. Proponha que, oralmente, a turma responda a algumas perguntas:

a) De quem o texto trata?

b) Que período da vida dessa pessoa é relatado no texto?

c) Como era esse período?

Medeie a conversa garantindo o respeito aos turnos de fala. Explique que cada estudante deve pedir a palavra antes de falar e que saiba ouvir a fala dos(das) colegas. É importante que todos(as) tenham a oportunidade de se manifestar.

Com a leitura do texto e as discussões sobre as questões iniciais, os(as) estudantes vão compreender que o relato foi feito em uma entrevista, na qual a entrevistada fala sobre sua “criancice”. Esse foi, nas palavras dela, um período de pobreza, de trabalho pela sobrevivência, mas, ainda assim, havia momentos de brincadeira. 

5. Em um segundo momento da atividade, proponha novas questões para discussão, agora voltadas para os aspectos discursivos.

a) Qual a finalidade do texto?

b) A quem esse texto provavelmente se destina?

Nessa segunda etapa, faça uma mediação para garantir que fique claro que esse texto é um relato retirado de uma entrevista. Essa forma de coletar a informação e o “desenho” final configurando como um relato pessoal na modalidade escrita supõem uma retextualização do texto oral que implica substituir os recursos da oralidade – como entonação, pausas etc. por recursos próprios da escrita: emprego de sinais de pontuação, uso de maiúsculas e minúsculas e organização em parágrafos.

6. Dadas essas informações, proponha que as duplas e os trios (conforme disposição sugerida no início desta sequência didática) identifiquem e destaquem (com cor ou sublinhando) no Texto I as palavras ou expressões que identificam a pessoa do relato e o modo como se refere a si mesma. Circule pela sala e avalie as respostas. Os(as) estudantes vão identificar algumas orações em que o sujeito será uma das três formas que a entrevistada utilizou para se referir a si mesma: “eu”, “a gente” e “nós”. Chame a atenção para o trecho “eu enchia com folha, aí fazia uma boneca”, de modo que os(as) estudantes percebam a ocultação do sujeito em “aí [eu] fazia uma boneca”. 

Nesse momento, retome os conteúdos trabalhados em sala de aula resgatando os tipos de sujeito: simples, composto, desinencial (oculto) e indeterminado. É interessante perceber que, nesse caso, não é a análise gramatical da desinência do verbo que deixa claro o sujeito (uma vez que podemos atribuir a esse verbo dois sujeitos pronominais eu/ela), mas o contexto do discurso que está sendo tecido (se esse eu enchia com folhas o paninho costurado, supõe-se que esse eu era quem fazia as bonecas). Por outro lado, se consideramos a continuidade do texto, pode haver dúvida sobre isso. Veja:

Às vezes, minha mãe costurava um pedacinho de pano e eu enchia com folha, aí fazia uma boneca. Uma boneca era de pano (riso). Ela enrolava uma cabeça, a bichinha tão feinha, mas era boneca, ela fazia de qualquer maneira aquilo ali pra gente brincar.

Percebemos que, na frase seguinte, Raimunda diz que “ela”, a mãe, fazia a boneca. Portanto, temos aqui uma situação em que ocultar o sujeito causa certa ambiguidade no trecho. Esse aspecto poderá ser retomado mais adiante, quando for proposto o exercício de eliminar repetições de pronomes.

Esclareça que, na aula seguinte, a turma retomará esse levantamento das palavras que se referem à pessoa do relato para observarem a relação entre essas formas e os verbos que a acompanham.

AULA 2
O sujeito e o verbo

Conteúdos específicos:
Compreensão leitora
Tipos de sujeito
Concordância verbal com o sujeito 

Recursos didáticos:
Caderno para tomada de notas e realização de exercícios propostos ao longo desta sequência
Cópias dos textos-base

Gestão dos(as) estudantes:
Estudantes dispostos(as) em duplas ou trios

Habilidades:
(EF69LP55); (EF69LP56); (EF06LP06); (EF07LP06)

Encaminhamento

1. Mantenha a turma organizada como na aula anterior: em duplas e trios, ainda que com novas formações. Juntos, relembrem o que foi tratado na aula anterior, principalmente na parte final, quando foram identificadas algumas formas de expressão do sujeito nas orações. 

2. Solicite que retomem o Texto I e, nele, localizem os verbos ou locuções verbais que se referem às palavras identificadas, na aula anterior, como sujeito e que correspondem à pessoa do relato (1a pessoa do discurso). Peça que, no caderno, seja construída uma tabela em que se evidenciem pares com os dois conjuntos: as palavras com as quais identificamos a pessoa do relato como sujeito e os respectivos verbos e locuções verbais relacionados a elas. Na ordem em que aparecem no texto, as palavras ficariam assim dispostas:

Circule pela sala e verifique o desenvolvimento dessa etapa.

3. Proponha que os(as) estudantes construam orações sobre si mesmos e sobre sua dupla ou trio, seguindo as regras estudadas sobre a concordância entre o sujeito da oração e os verbos ou as locuções. Isso será feito completando livremente as orações a seguir (enfatize que, em cada oração, deve haver um único verbo ou uma única locução verbal).

Volte a circular pela sala para ler as respostas. Se preferir, peça que algumas sejam lidas em voz alta e, se for o caso, problematize a construção que estiver em desacordo com as regras de concordância entre os termos estudados. 

4. Terminada a verificação, lance novas perguntas:

a) No texto lido, em todas as falas de Raimunda, há o uso dessas mesmas regras de concordância?

b) Se houve diferenças, quais foram e que hipótese as explicaria? 

Nessa nova discussão, retome a regra de concordância no âmbito da gramática normativa: na oração, o verbo deve concordar com o núcleo do sujeito.
Retome também o que foi estudado em ano anterior sobre as diferentes gramáticas – as gramáticas de cada variedade –, para que os(as) estudantes possam considerar que a variedade linguística usada por Raimunda tem como regra, no caso do uso do sujeito no plural, apenas marcar a flexão do sujeito que já dá a ideia de plural e manter o verbo no singular. 

Em síntese, na variedade usada por Raimunda, notam-se duas particularidades:

O uso de “a gente” (1a pessoa do singular) como forma equivalente a “nós” (1a pessoa do plural), que sinaliza o uso de um registro informal:

O que a gente ganhava era tão pouco...
A gente tomava café da manhã...

No emprego de “nós” como sujeito, ela mantém o verbo flexionado na 1a pessoa do singular, em vez de a 1a do plural, como prescreve a gramática normativa:

Nós ia lá na casa dela e lá tinha um menino e uma menina, aí nós brincava de noite.

5. É importante que seja enfatizado nessa discussão que a entrevista feita para coletar dados para o relato se deu em uma situação de informalidade – o que contribui para o uso de registro informal –, e que a variedade linguística de Raimunda é legítima, uma marca identitária que deve ser respeitada. Discuta com eles a ideia de língua como um conjunto de variedades (retomando aprendizagens construídas durante o ano anterior, em caso de uso da obra), lembrando-os de que, do ponto de vista científico, não se pode estabelecer uma hierarquização entre as diferentes variedades. Relembre, ainda, o compromisso do estudo da disciplina com o ensino das normas urbanas de prestígio, mas, acima de tudo, com o estudo dos usos adequados da língua, considerando as diferentes situações de comunicação nas quais nos envolvemos e que podem pedir maior ou menor formalidade, maior ou menor obediência à gramática normativa: uma situação mais informal (no caso da entrevista oral, envolvendo interlocutores como a Raimunda, por exemplo) ou de maior (auto)vigilância linguística (no caso de uma conversa entre um(a) estudante e um(a) diretor(a) da escola, por exemplo).

AULA 3
O sujeito e o verbo

Conteúdos específicos:
Compreensão leitora
Tipos de sujeito
Concordância verbal com o sujeito 

Recursos didáticos:
Caderno para tomada de notas e realização de exercícios propostos ao longo desta sequência
Cópias dos textos-base

Gestão dos(as) estudantes:
Participações coletivas e estudantes dispostos(as) em duplas ou trios

Habilidades:
(EF69LP55); (EF69LP56); (EF06LP06); (EF07LP06)

Encaminhamento

1. Relembrem o que foi tratado nas aulas anteriores: conceituação de sujeito, regra fundamental de concordância entre sujeito e verbo, adequação da variedade linguística a cada contexto.

2. Retome o Texto I no coletivo. Anote na lousa este trecho do texto: Ela fazia o chá de cidreira, botava um pozinho de farinha dentro e mexia.

Coletivamente, peça que:
a) desmembrem o período, separando cada oração;

b) identifiquem o sujeito e o predicado;

c) expliquem, nos casos de sujeito oculto, como fizeram a identificação.

Garanta que toda a turma contribua com esse momento e problematize as participações que não se adequarem ao esperado do exercício proposto.

3. Solicite que, em duplas ou trios, comparem estas frases e expliquem se consideram que alguma seja “melhor” que as outras e o porquê da escolha e do julgamento:

I) Ela fazia o chá de cidreira, botava um pozinho de farinha dentro e mexia.

II) Ela fazia o chá de cidreira, ela botava um pozinho de farinha dentro e ela mexia.

III) Fazia o chá de cidreira, botava um pozinho de farinha dentro e mexia.

Dê um tempo para que cada dupla ou trio analise as frases e faça oralmente uma correção coletiva.

4. Durante a correção, conduza as discussões para que entendam que todas são aceitáveis: têm sentido completo, não oferecem dificuldade de compreensão e, no âmbito da gramática normativa, estão corretas. A diferença está na marcação e repetição do sujeito dos verbos. No caso das repetições, é importante favorecer uma discussão sobre situações em que a repetição é intencional, visando produzir certo efeito de sentido, e situações em que ela pode ser considerada indesejada, portanto, algo que produz uma avaliação negativa do texto.

Discuta com a turma a frase III, a mais concisa de todas, e promova uma reflexão sobre suas particularidades: todas as orações que a compõem apresentam sujeito oculto e, sem um contexto, não é possível saber a quem ou a que cada verbo se refere. Devidamente contextualizada, isto é, em um texto como o que está em estudo, a frase III não traz problemas quanto à compreensão. Por essas características, provavelmente essa seja a escolhida como a “melhor” para o contexto em que foi utilizada. 

5. Peça à turma que leia o Texto II. Após a leitura, proponha que respondam a estas perguntas:

a) De quem esse texto trata?

b) Que informações sobre essa pessoa o texto traz?

c) Há semelhanças entre o Texto II e o Texto I?

As respostas podem ser dadas oralmente. Essas questões visam levar os(as) estudantes a observar que o Texto II também está escrito em 1a pessoa, mas, diferentemente do Texto I, recebe o título de entrevista e também é organizado em tópicos. Pelo conteúdo do fragmento, eles(elas) podem concluir que, como no Texto I, a pessoa entrevistada também é uma mulher, relembra que trabalhou desde a infância e dá o seu depoimento de forma descontraída, informal, o que pode ser evidenciado, inclusive, pelo uso da rubrica “risos”. 

6. Encerradas as conversas sobre essas questões iniciais, relembre que, como explicado na aula anterior, o uso do sujeito oculto pode ser uma forma de deixar o texto mais conciso, menos repetitivo. Em uma situação oral e informal, as repetições são comuns, porém, em um texto, podem não ser atraentes para o leitor e levar a um julgamento negativo, sendo oportuno que elas sejam eliminadas, desde que isso não comprometa a compreensão.

Explique que o Texto II apresenta muitas repetições do pronome “eu”, que podem ter duas intenções: ser a transcrição fiel da entrevista, colhida oralmente em uma situação de informalidade para produzir esse efeito de informalidade, ou ser uma forma de estigmatizar o discurso do outro. Nesse caso, considerando o contexto de produção e circulação e entendendo a função social do Museu da Pessoa, certamente a intencionalidade é “concretizar” o registro informal. Volte a discutir a adequação do uso da variedade e do registro às situações de uso. 

7. Em seguida, proponha um exercício de eliminação das repetições: peça que identifiquem, no Texto II, ao menos uma repetição em que a transformação do sujeito determinado em oculto não comprometa o sentido do texto e não provoque a ambiguidade de sentido. No trecho a seguir, as orações, cujos sujeitos determinados podem ser transformados em ocultos, estão tachados:

Como eu falei, meu pai era forneiro, minha mãe cuidava da casa. Eu cheguei até a ser babá pra ganhar alguma coisa pra ajudar na casa. Ainda menina mesmo, eu fiz isso. Eu me lembro sim, me recordo, mas eu era muito doida, porque eu não concordava com nada que eles gostavam. (risos) Muito agito pra minha cabeça. Eu gostava da calmaria, das coisas mais elaboradas. Então foi um negócio muito difícil, pra mim, trabalhar com essa coisa da música.

Destaque que, em algumas situações, o uso de sujeito oculto pode ocasionar ambiguidade. Você pode retomar, nesse momento, o caso já observado no Texto I, no seguinte trecho:

Às vezes, minha mãe costurava um pedacinho de pano e eu enchia com folha, aí fazia uma boneca. Uma boneca era de pano (riso). Ela enrolava uma cabeça, a bichinha tão feinha, mas era boneca, ela fazia de qualquer maneira aquilo ali pra gente brincar.

Você pode, também, criar outros exemplos em que isso aconteça.

8. Finalize a sequência propondo um momento de sistematização das aprendizagens favorecidas pela sequência no que se refere (1) às variedades linguísticas, (2) ao uso das regras de concordância entre sujeito e verbo e (3) à repetição ou não de uma mesma palavra com função de sujeito e a relevância e as complicações de ocultar o sujeito nos nossos textos.

SUGESTÕES PARA VERIFICAR E ACOMPANHAR A APRENDIZAGEM DOS(AS) ESTUDANTES

1. Pautas de observação do(da) professor(a)

Esta sequência propõe a participação da turma em atividades a serem desenvolvidas de forma coletiva (em situações orais) e em pequenos grupos (em situações de escrita), quando a colaboração é fundamental. Acompanhe as aprendizagens dos(das) estudantes no desenvolvimento da sequência, seja pela escuta das falas, seja pelo acompanhamento das respostas escritas. Além das respostas em si, procure verificar o processo como elas são elaboradas e os conhecimentos teóricos que os(as) estudantes utilizam para sustentá-las.

Eleja os momentos de produção e a revisão dos textos propostos na coleção como prioritários para retomar com a turma as aprendizagens construídas em sequências como essa. Observe que, em muitas das Fichas de Apoio à produção e à avaliação dos textos, há itens relativos ao uso adequado das regras da gramática normativa, entre elas, as regras de concordância verbal.

2. Proposta de autoavaliação