Plano de aula 9ºano português - Habilidades BNCC EF69LP49, EF89LP33, EF89LP35

Microrroteiros: leitura e produção
Duração: 2 aulas

Justificativa:
O objetivo desta sequência didática é desenvolver a capacidade do aluno de identificar e compreender o que são nanocontos, microcontos, minicontos e microrroteiros. Com isso, espera-se que eles criem microrroteiros utilizando os conhecimentos e os recursos aprendidos, com a finalidade de intervir no espaço escolar, propondo uma reflexão por meio de situações triviais que acontecem no ambiente.

A abordagem desta sequência didática colabora com a Competência Geral 3 (BNCC, p. 9), que visa “valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.”

Objetivos de aprendizagem
• Ler e conhecer nanoconto, microconto, miniconto e microrroteiro.
• Identificar as características desses gêneros.
• Comparar as semelhanças e as diferenças entre miniconto e microrroteiro.
• Produzir microrroteiros.
• Expor as produções no ambiente escolar.

Objetos de conhecimentos e habilidades :

Adesão às práticas de leitura
(EF69LP49)
Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de literatura e por outras produções culturais do campo e receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, que representem um desafio em relação às suas possibilidades atuais e suas experiências anteriores de leitura, apoiando-se nas marcas linguísticas, em seu conhecimento sobre os gêneros e a temática e nas orientações dadas pelo professor.

Estratégias de leitura
Apreciação e réplica
(EF89LP33)
Ler, de forma autônoma, e compreender – selecionando procedimentos e estratégias de leitura adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros e suportes – romances, contos contemporâneos, minicontos, fábulas contemporâneas, romances juvenis, biografias romanceadas, novelas, crônicas visuais, narrativas de ficção científica, narrativas de suspense, poemas de forma livre e fixa (como haicai), poema concreto, ciberpoema, dentre outros, expressando avaliação sobre o texto lido e estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores.

Construção e textualidade
(EF89LP35)
Criar contos ou crônicas (em especial, líricas), crônicas visuais, minicontos, narrativas de aventura e de ficção científica, dentre outros, com temáticas próprias ao gênero, usando os conhecimentos sobre os constituintes estruturais e recursos expressivos típicos dos gêneros narrativos pretendidos, e, no caso de produção em grupo, ferramentas de escrita colaborativa.

Desenvolvimento

Aula 1 – Minicontos e microrroteiros?
Duração: cerca de 45 minutos
Local: sala de informática ou em sala de aula equipada com computador ligado à internet e projetor
Organização dos alunos: em duplas
Recursos e/ou material necessário: computadores, retroprojetor, cadernos, lápis, borracha, lousa e giz

Sugestões para o(a) professor(a) selecionar os textos conforme a faixa etária dos alunos:

• Nanocontos e microcontos de Jorge Miguel Marinho.
Disponível em:
<www.plataformadoletramento.org.br/emrevista-coluna-detalhe/654/breves-contos-contos-breves.html>

• Minicontos de Marina Colasanti.
Disponível em:
<www.marinacolasanti.com/2013/09/hora-de-alimentarserpentes.html>

• Marina Colasanti por Vera Holtz.
Disponível em:
<www.marinacolasanti.com/search/label/Vera%20Holtz>

• Microrroteiros de Laura Guimarães.
Disponível em:
<http://nopassodoroteiro.blogspot.com/2013/03/breveapresentacao-microrroteiros-da.html?view=classic>

• Texto de apoio: “Microrroteiros pela cidade para estimular a imaginação das pessoas”.
Disponível em:
<www.hypeness.com.br/2012/05/microrroteiros-pela-cidade-para-estimular-a-imaginacao-das-pessoas/>

Atividade 1: O que são minicontos? (10 minutos)
Inicie a aula dizendo aos alunos que eles vão ler minicontos e microrroteiros, o que os ajudará a compreender a construção de sentidos em pequenos textos. 

Retome o que eles já sabem sobre minicontos: narrativas breves em que a palavra é usada com extrema concisão e que, assim como o conto, organizam-se em torno de um único conflito. Informe ainda que, dada a brevidade do texto, ao ler um miniconto somos desafiados a decifrar seus sentidos, na tentativa de completar aquilo que falta na narrativa.

Depois da discussão, selecione e projete, ou escreva alguns minicontos na lousa, como os de Jorge Miguel Marinho, sugeridos em Recursos e/ou material necessário, e faça uma leitura coletiva com os alunos.

Peça que releiam o título do miniconto “Love Story” e pergunte qual é a sua relação com o texto. Eles devem perceber que há ironia na relação entre o título e o texto e que, apesar de o título sugerir que se trata de uma história de amor, no decorrer do texto não há uma história romântica, gerando um sentido inverso e irônico na composição. (Como em literatura não há certo ou errado, ouça outras interpretações, desde que fundamentadas.)

Pergunte aos alunos qual é o foco narrativo da história. Espera-se que os alunos digam que está narrada na 3ª pessoa do singular: “ele se inspirou”. Pergunte em que passagem do texto é possível identificar o clímax ou o desfecho que atribui ironia ou contradição. É possível que os alunos digam que quando o autor diz que “o amor é cego”, há uma oposição a tudo o que ele tinha dito anteriormente, pois apesar de ele dizer que viveu “a maior história de amor de todos os tempos”, parece que sua mulher nunca percebeu seu amor por ela. Pergunte ainda por que o título está escrito em inglês. Desafie-os a elaborar uma justificativa para essa escolha do autor e escute suas hipóteses, acolhendo suas reflexões. Os alunos poderão relacionar a histórias românticas britânicas, como as de Shakespeare (Romeu e Julieta), ou outras histórias de amor que aparecem em filmes ou letras de música, vinculadas a ideias populares do romantismo.

Na sequência, recorde que, em um conto, o conflito gera uma ação em torno da qual a narrativa se desenvolve. Pergunte se é possível perceber o conflito gerador da ação no miniconto.
Espera-se que digam que o conflito está entre o amor que o autor sente por sua mulher e o fato de ela  não perceber esse amor. Portanto, o clímax é atingido no final, quando o autor diz que sua mulher não percebe seu amor.

Informe aos alunos que, como nos contos, minicontos podem apresentar foco narrativo em 3ª ou em 1ª pessoa. Por exemplo: 

O destino bate à sua porta 
Oi, desculpe o atraso.

Disponível em:
<www.plataformadoletramento.org.br/em-revista-coluna-detalhe725/minicontos-de-graca.html>.

Pergunte aos alunos se há conexão entre o título e o texto e quais são as possibilidades de sentido no miniconto. Peça que usem a imaginação. Eles devem perceber que o narrador em 1ª pessoa é o destino, que chegou atrasado. É provável que eles levantem hipóteses inferindo o sentido de que se uma pessoa espera passivamente pelo que deseja na vida (seu destino), é possível que demore a acontecer.

Atividade 2: Menores que o miniconto – microconto e nanoconto (10 minutos)
Diga aos alunos que existe uma classificação segundo a qual os minicontos podem ser agrupados conforme a quantidade de letras que apresentam. Se possuírem até 50 letras, sem contar espaços e acentos, são chamados de nanocontos; se possuírem até 150 letras (ou toques, pois contam letras, espaços e pontuação), são microcontos; e minicontos (300 palavras ou até 600 toques). 

Pergunte aos alunos como eles acham que se classificam os contos que leram de acordo com esse critério. Informe que, de acordo com a classificação, eles conheceram um miniconto (“Love Story”: 313 toques) e um nanoconto (“O destino bate à sua porta”: 40 letras). Contudo, apesar das classificações, podemos nos referir a eles como minicontos, considerando que são concisos e exigem a participação do leitor na atribuição de sentidos. 

Se achar conveniente e houver tempo, continue explorando as características dos minicontos e apresente alguns de Marina Colasanti. Em Recursos e/ou material necessário há links para vídeos com leituras da própria escritora e da atriz Vera Holtz. Sugerimos o miniconto “Em igual medida”. 

Atividade 3: O que são microrroteiros? (15 minutos)
Acesse o blogue da artista Laura Guimarães (link em Recursos e/ou material necessário) e leia com os alunos a definição de microrroteiro, depois leia as cenas até a página 17, explorando com os alunos cada texto. A visualização em mosaico, acessível pelo menu principal, deve ser estimulante e despertar a curiosidade dos alunos. Portanto, deixe-os explorar livremente (por volta de 5 minutos), em um primeiro momento, o conteúdo do site, e depois pergunte o que lhes chamou a atenção. Ouça-os atentamente, peça que leiam alguns microrroteiros de que gostaram e pergunte de que forma interpretaram o que está escrito, por exemplo:

“distrai do farol

com a lua

cheia. Som

Som de buzina

no carro de

trás não

Viram o céu”

É possível que os alunos relacionem a pressa e a correria da vida cotidiana à nossa incapacidade de enxergar algo além das nossas obrigações, como se nossas atividades nos embrutecessem, não nos permitindo observar situações lúdicas como um luar, denotando um olhar quase insensível ao que é belo, o que parece nos levar à uma desumanização.

Pergunte se eles já viram pela cidade onde moram (ou em visita a outras cidades) obras como as de Laura Guimarães. É possível que alguns alunos tenham notado esse formato de material impresso – chamado de lambe-lambe – espalhado pelos muros de cidades mais urbanizadas. Explique que o lambe-lambe artístico é um pôster de tamanho variado que é colado em espaços públicos, compondo a arte urbana contemporânea.

Volte à exploração da obra de Laura Guimarães, idealizadora do projeto dos microrroteiros, que tem como suporte o lambe-lambe. Explique que a produção dessa artista apresenta no máximo 140 caracteres e tem como objetivo estimular a imaginação das pessoas por meio da descrição de cenas inspiradas no cotidiano. Reapresente alguns microrroteiros aos alunos e leve-os a perceber o papel colorido e chamativo, a disposição das letras no suporte (que lembram poemas concretos) e a tipologia escolhida, fazendo referência à escrita da máquina de escrever e ao roteiro. Explique que o objetivo é criar uma intervenção artística urbana que possibilite um novo olhar ao instigar como as situações triviais e podem ser inspiradoras.

Atividade 4: Sistematizando as semelhanças e diferenças entre microrroteiros e minicontos (10 minutos)
Finalize a aula perguntando aos alunos que semelhanças eles notam entre os minicontos e os microrroteiros. Espera-se que mencionem que ambos são textos breves com linguagem concisa, com uso de jogos de palavra ou figuras de linguagem, oferecendo múltiplas interpretações. Leve-os a perceber, no entanto, que apresentam objetivos diferentes, já que o microrroteiro, afixado nas ruas das cidades, propõe-se a uma intervenção urbana com o objetivo de fazer as pessoas observarem o cotidiano de modo diferente, enquanto o miniconto circula em suportes menos abertos, como jornais, revista, livros, etc. Mencione, ainda, que os microrroteiros não são assinados, como o miniconto.

Neles, a figura do narrador está diluída ou é inexistente: os textos são fragmentos que se colaram à cidade como forma de resistência e poesia.

Para que os alunos percebam uma possível estratégia de circulação, pergunte de que forma, em meio à velocidade da cidade, seria possível propor uma reflexão aos passantes? É possível que os alunos percebam que é necessário afixar os microrroteiros em lugares em que as pessoas passam com mais tranquilidade, como nos pontos de ônibus e postes próximos a semáforos.

Anote na lousa as hipóteses que os alunos levantaram sobre as semelhanças e as diferenças entre minicontos e microrroteiros e peça que anotem em seus cadernos.

Aula 2 – Produzindo um microrroteiro
Duração:
cerca de 45 minutos
Local: na sala de informática
Organização dos alunos: em duplas
Recursos e/ou material necessário: computadores, retroprojetor, lápis, borracha, caderno, lousa, giz e mural Blogue da Laura Guimarães. ,Disponível em: <http://nopassodoroteiro.blogspot.com/?view=snapshot>.

Atividade 1: Produzindo microrroteiros (30 minutos)
Inicie a aula dizendo aos alunos que eles vão produzir microrroteiros em duplas para afixá-los no ambiente escolar. O objetivo é estimular a imaginação dos alunos e passantes, convidando-os a refletir sobre o cotidiano na escola, ao narrar cenas decorrentes desse ambiente, obtendo um novo olhar sobre o lugar em que diariamente convivem. As produções deverão ser impressas em papéis coloridos e feitas em um processador de textos. 

Lembre os alunos de que o microrroteiro propõe a descrição objetiva de uma breve cena ou narrativa cotidiana, em 1ª ou em 3ª pessoa. Ressalte também que nesses textos situações do passado são relembradas, o que se nota pelo uso de verbos no pretérito. Além disso, podem apresentar figuras de linguagem e devem levar a uma reflexão por parte dos passantes. Se necessário, peça que acessem novamente o blogue de Laura Guimarães para se inspirarem.

Divida a turma em duplas e pergunte aos alunos que temas poderiam ser abordados. É possível que eles sugiram temas como: época das avaliações; as relações entre os alunos, citando possíveis desavenças ou gestos de amizade; atitudes dos professores; festas ou férias escolares.

Para a escrita, explique aos alunos que, dada sua extrema concisão, eles devem realizar algumas tentativas até atingirem as ideias que desejam expressar. Ao final do tempo destinado à escrita, eles devem planejar a produção na cor do papel que desejam, dispondo as palavras conforme desejarem, ou seja, deve estar pronto para impressão. Esse trabalho deve ser salvo na pasta de documentos que o professor organizará no sistema de informática da escola.

Avise aos alunos sobre o tempo, alertando-os quando restarem 15 ou 10 minutos para acabar.

Eles deverão compartilhar suas produções com os outros colegas da turma na atividade seguinte e eleger as melhores produções para serem afixadas no mural.

Atividade 2: Compartilhando as produções de microrroteiros (15 minutos)
As duplas deverão compartilhar com seus colegas suas produções, que devem apresentar seus microrroteiros já prontos para impressão. Os alunos devem trocar seus trabalhos, conhecendo os trabalhos dos colegas. Peça às duplas que registrem nos trabalhos dos colegas suas sugestões de melhorias, tanto no texto quanto na arte.

Assim que todos tiverem realizado suas revisões e finalizações, proponha que afixem as produções nos murais e paredes da escola. Provavelmente, será necessário outro momento para realizar essa atividade extra sala de aula.

Se possível, peça também ao responsável pelo site ou página da escola nas redes sociais que fotografe as produções dos alunos para serem divulgadas no formato digital.

Aferição do objetivo de aprendizagem 
A avaliação do processo de aprendizagem pode ser realizada por meio das atividades propostas nesta sequência didática e deve considerar o desenvolvimento individual de cada um dos alunos.

A participação oral, as hipóteses, ideias e conclusões dos alunos revelam a compreensão sobre os conceitos estudados. A produção dos microrroteiros, assim como o cuidado e a atenção na apresentação ou o comprometimento coletivo na escolha dos melhores, também são instrumentos que devem ser avaliados, revelando o engajamento individual no aprendizado. 

Além das atividades desenvolvidas distribuídas pelas duas aulas, a aferição também pode ser realizada por meio das questões a seguir.

Questões para auxiliar na aferição

1. Assinale a alternativa que não traz semelhança entre minicontos e microrroteiros.
a)
Têm como objetivo a intervenção urbana, provocando a imaginação de quem passa por ele ao atribuir um modo diferente de olhar uma situação trivial.
b) Podem ser narrados em 1ª ou 3ª pessoa.
c) Possuem uma narrativa breve, apresentada de forma objetiva.
d) Oferecem múltiplas interpretações, podendo oferecer reflexão por meio de figuras de linguagem ou de jogos de palavras.

2. Produza um miniconto com suas principais características.

Gabarito das questões
1.
Alternativa a. Todas as alternativas apresentam semelhanças entre minicontos e microrroteiros, com exceção da alternativa a, pois apenas os microrroteiros têm como objetivo a intervenção urbana.

2. Resposta pessoal. Espera-se que o aluno reconheça as principais características do miniconto e as expresse na produção textual.